sexta-feira, 17 de julho de 2020

Paraíso dos burocratas. Paraíso do rentista. Paraíso do contencioso.




Olá pessoal,

  Muitos de vocês devem estar acompanhando o evento promovido pela XP EXPERT 2020 e devem ter assistido o painel do Ministro da Economia Paulo Guedes, onde ele fala ao final que o nosso país é o paraíso dos burocratas, paraíso do rentista e paraíso do contencioso (ver aqui). Vamos explorar um pouco sobre cada um desses flagelos no nosso país.                   
  Quando se diz que o Brasil é o paraíso dos burocratas, não se trata de uma hipérbole. Acha que é mentira? Pois fiquem sabendo que o Brasil amarga já há alguns anos o último lugar entre todas as nações pesquisadas do Índice de Competitividade Global, publicado pelo Fórum Econômico Global (fonte). Se você contesta a credibilidade dessa ou de qualquer organização que promova esse tipo de ranking onde o nosso país sempre amarga a última posição, tudo bem. Existem brasileiros que sentem essa dificuldade na pele e, assim como eu, não se surpreendem com essa triste estatística.             
  Quando se diz que o Brasil é o paraíso do rentista, também não se trata de nenhum exagero. É fato que tem havido um grande esforço por parte deste governo para reduzir a taxa básica de juros e forçar os rentistas a saírem da zona de conforto da renda fixa e se arriscarem um pouco mais na renda variável. Mas os grandes bancos também figuram como uns dos maiores rentistas do país, se não forem os maiores. Desde a primeira década do plano real, quando os juros reais médios batiam na casa dos 14% a.a., os bancos crescem como nunca, não apenas cobrando taxas administrativas abusivas nos seus fundos de investimentos distribuídos aos correntistas, mas também praticando o 2º maior spread bancário do mundo (fonte). Mesmo com a taxa Selic em 2,25% a.a., ainda vemos os bancos cobrando juros extorsivos no cartão de crédito rotativo (303,43% a.a.) e no cheque especial (117,06% a.a.) (fonte). Portanto ainda somos o paraíso dos rentistas.   
  Quando se diz que o Brasil é o paraíso do contencioso, aí é que não se trata mesmo de nenhum exagero. O nosso país é campeão disparado em litígios tributários (fonte). Um contencioso tributário equivalente a 73% do PIB nacional não representa apenas o manicômio do nosso sistema tributário, mas também uma insegurança jurídica geral que se estabeleceu na nossa cultura e é um inferno para quem quer empreender.        
  Eu acredito que o atual governo esteja se esforçando para extirpar essas metástases que se alastraram pelo nosso país. Mas não depende somente deles. Depende também de um Congresso que apesar de ser considerado reformista, sofre pressões de corporações elitistas para manter os seus privilégios, sem contar que muitos parlamentares são oriundos dessas corporações. Não vai ser fácil. A reforma da previdência vai ser café pequeno perante as reformas que ainda estão por vir!


Abraços,
Seja Independente

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Vocês se preocupam muito com dinheiro hein!?


Olá pessoal,

  Calma, eu sei que pode parecer um julgamento um pouco pesado. Mas é apenas para chamar a atenção de vocês para uma reflexão: nós (eu me incluo também) priorizamos muito o dinheiro, quando na verdade deveríamos priorizar a nossa maior riqueza, a educação. “Como assim cara pálida?”. Calma, eu vou explicar. 




  Todos nós sabemos que o dinheiro é o meio de troca que nos permite adquirir quase tudo que existe nessa vida, não é verdade? Quanto mais dinheiro um indivíduo possui, mais poder ele tem. Mas o que não te contam é que o dinheiro não vem do nada. O dinheiro jorra na sua vida após você adquirir muito conhecimento em uma determinada área e em empreendedorismo e investimentos (educação financeira). É essa aquisição valiosa que alicerça a base de sustentação da riqueza de qualquer indivíduo da face da terra. Sem essa base a riqueza pode se tornar passageira num piscar de olhos. Portanto, quando estiver iniciando a sua carreira profissional, não priorize o dinheiro, mas sim o aprendizado decorrente da prática diária e, o mais importante, o senso de contribuição para um mundo melhor. Se o dinheiro jorrar rapidamente, melhor ainda. Mas nem sempre é assim e a paciência é requisito essencial para que o dinheiro comece a jorrar.    




  Em quantas histórias vocês já não ouviram falar de empresários que obtiveram sucesso nas primeiras décadas de um negócio, mas depois não conseguiram se adaptar às mudanças do setor e terminaram falindo? Ou de profissionais liberais que obtiveram sucesso nos primeiros anos de carreira, mas por não amarem de corpo e alma a profissão que abraçaram, ficaram para trás? Muitos desses profissionais trabalharam somente pelo dinheiro, sem se preocupar com o retorno que eles geraram para a sociedade. Eu tenho certeza como cada ser humano nesse mundo sente um pouco na pele, ao menos uma vez na vida, o descaso profissional decorrente da priorização do dinheiro em detrimento dos bons valores profissionais.
  Algumas pessoas podem até argumentar o fato de que isso é relativo, pois as pessoas também podem ganhar milhões na loteria ou serem herdeiras de grandes fortunas. É verdade. Mas mesmo para essas pessoas o conhecimento de base e a educação financeira são essenciais para manter “a sorte sorrindo para elas”. Quantos felizardos contemplados em loterias, ou premiados com grandes fortunas herdadas, não perdem todo o dinheiro adquirido em pouco tempo? Ou não ficam menos ricos ao longo dos anos por não saberem gerenciar o que ganharam? São muitos, nós sabemos disso!    
  Quem já leu os livros Pai Rico Pai Pobre e Os Segredos da Mente Milionária sabe da importância de adquirir conhecimento e educação financeira previamente ao início de qualquer negócio. O autor do primeiro livro citado, Robert Kiyosaki, fez a seguinte afirmação: “gente demais se preocupa excessivamente com dinheiro e não com a sua maior riqueza, a educação”. Sem educação, qualquer iniciativa profissional ou empresarial para alcançar a riqueza se enfraquece ao longo do tempo, e um eventual patrimônio construído durante o percurso se esfarela como um castelo de areia que cai ao soprar o primeiro vento forte.


Abraços,
Seja Independente

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Entendam o caso do vídeo de Felipe Neto!




Olá pessoal,


  Muitos de vocês devem estar acompanhando toda a repercussão gerada pelo vídeo do Youtuber Felipe Neto, onde ele critica os investimentos em bolsa de valores pelo fato de gerar riqueza sem um retorno para a sociedade (veja o vídeo aqui). Primeiramente, eu gostaria de deixar bem claro aqui que o meu foco nesse artigo não é julgar a atitude do Felipe Neto, mas sim mostrar um ponto de vista diferente a respeito dos investimentos em bolsa de valores.                
  Felipe Neto talvez não saiba, mas existe muito retorno sim para a sociedade. Inclusive ele tentou se retratar depois falando da importância do IPO das empresas na bolsa. Pois bem, para quem não sabe, IPO significa Initial Public Offering, ou seja, é a oferta pública inicial de ações de uma empresa ao ser listada na bolsa, cujos recursos captados com a venda dessas ações são transferidos diretamente para o caixa dessas empresas, permitindo a elas uma capitalização massiva que talvez não fosse possível tomando empréstimos bancários. Com essa capitalização a empresa pode expandir os seus negócios de forma exponencial, abrindo mais unidades físicas, contratando mais funcionários, investindo mais em bens de capital, em desenvolvimento de novos produtos, entre outras coisas. Esse processo ocorre no chamado mercado primário. Após os primeiros acionistas adquirirem as ações da empresa, eles podem vendê-las para outros investidores no chamado mercado secundário. Aí vocês podem questionar: “Mas qual é o benefício para a sociedade comprar e vender ações de empresas nesse mercado secundário?”. O benefício, meus caros colegas, é que esse mercado gera liquidez para as ações vendidas no mercado primário. Caso a empresa listada viesse a falir, os primeiros acionistas não teriam como se desfazer desses papéis, arcando com um enorme prejuízo. Concordam comigo que ninguém se interessaria por investir nessas empresas caso não existisse a bolsa?         
  Compreendam que no mercado secundário, que é tido como o mercado onde especuladores ganham dinheiro tirando proveito da inexperiência dos outros, você investe de uma forma indireta em empresas que geram muito retorno para a sociedade, através de vendas de bens e serviços a milhões de consumidores, contratações de milhares de funcionários, compras de insumos de dezenas de fornecedores, terceirização de mão-de-obra especializada em larga escala, investimentos em bens de capital, desenvolvimento de novos produtos e serviços e recolhimentos de tributos para os cofres públicos. Toda uma cadeia produtiva a nível nacional e até internacional é sustentada pelos investimentos em bolsa de valores. É diferente dos investimentos em renda fixa, onde você empresta dinheiro ao governo, aos bancos e às empresas listadas na bolsa (debêntures e notas promissórias), em troca de um recebimento de juros. Nesse caso você até que gera um retorno para a sociedade, mas sem correr tanto risco e sem participar do capital das empresas.    
  Felipe Neto também deve entender que, diferente dele que é um outlier, a maioria dos brasileiros tem dificuldade para arranjar uma ocupação e construir um patrimônio. O desemprego é muito alto, a informalidade cresce a olhos vistos a cada dia e tocar um negócio no nosso país é um inferno. Para quem não tem vocação para o serviço público e não é um profissional liberal (médico, advogado, contador, engenheiro, etc.), uma das poucas opções que restam é a bolsa de valores mesmo. 
  Todos os países desenvolvidos, sem exceção, possuem um mercado de capitais forte e pujante. Nos EUA e na Alemanha, por exemplo, mais da metade da população investe na bolsa. No Brasil apenas 1% da população investe na bolsa. É praticamente um oceano a ser explorado. E os educadores financeiros pelo Brasil afora têm consciência disso e se manifestaram rapidamente após a publicação do vídeo, criticando o Felipe Neto e explicando ao público em geral o porquê do pensamento dele estar equivocado. Confesso que fiquei feliz com essa reação e representa o início de uma mudança cultural na nossa sociedade. Uma cultura de empreendedorismo e prosperidade está nascendo. Deus nos abençoe!


Abraços,
Seja Independente

terça-feira, 14 de julho de 2020

É muito difícil analisar uma ação?


Olá pessoal,

  Vocês acham que é muito difícil analisar uma ação? Se sim, fiquem sabendo que não é tão complicado como vocês imaginam, e que agora neste exato momento a Bolsa de Valores [B³] possui 2.678.353 CPF’s cadastrados (fonte). Isso significa dizer que já existe no Brasil uma quantidade de investidores equivalente à população da capital Fortaleza/CE (fonte) que já investe diretamente em títulos públicos, fundos imobiliários, ações e ETF’s. Nem todos esses investidores são profissionais do mercado financeiro ou são profissionais da área de exatas e humanas I, que tem uma maior facilidade com cálculo. Alguns deles são profissionais da área da saúde, da área de humanas II e III (direito, psicologia, pedagogia etc.) e alguns deles tem até o ensino médio/técnico. Investir é uma atividade como qualquer outra. Vou explicar.    
    Primeiramente, quem é leigo e nunca investiu o seu suado dinheiro na “fonte”, mas apenas através dos fundos de investimentos “vampiros” e produtos “cavalo de Tróia” dos bancos tradicionais, deve compreender antes de mais nada que uma carteira de investimentos deve ser programada de acordo com o seu perfil de risco e para atender os seus objetivos, e não perder dinheiro em especulações. Para isso, conhecer quais são os riscos e como administrá-los é fundamental para dar os primeiros passos. E como podemos fazer isso? Adquirindo noções de Economia e Contabilidade para analisar os ativos que irão compor a sua carteira.   
  Se o indivíduo leigo no assunto resolve tomar as rédeas da sua vida financeira, ele tem a sua disposição atualmente uma gama de opções na internet de cursos, sites, blogs e e-books gratuitos ou custando um preço simbólico, que ensinam como investir no mercado financeiro de forma completa. Nunca na história do Brasil foi tão acessível estudar para se tornar um investidor como nos dias atuais. Em um artigo do blog eu trato sobre essa acessibilidade que nós temos atualmente (ver aqui). Pois então, nesse manancial de opções é possível o indivíduo leigo adquirir noções de Economia e Contabilidade de forma simples e prática. Não é necessário ser doutor nessas matérias para começar a investir, mas apenas “encaixotar algumas ferramentas” na sua mente para analisar os ativos.
  Analisar os diferentes ativos de renda variável não requer o uso de “ferramentas” muito diferentes. A análise de uma ação é muito similar à análise de um fundo imobiliário, por exemplo. Inicialmente, o investidor deve analisar todo o contexto macroeconômico no qual um ativo está inserido, como o país e o setor de atuação, basicamente. Após essa análise macro, o investidor começa a analisar a empresa em si, como os seus indicadores contábeis, as demonstrações financeiras, a governança corporativa e o peso dela no setor em que atua.  
  Podemos destrinchar mais um pouco essas análises. O país pode ter um ambiente de negócios hostil, pode ter um “capitalismo de araque” (Bredda, Henrique) com vários monopólios e pode ter uma moeda desvalorizada. O setor de atuação pode ter uma demanda elástica ou inelástica, ter um monopólio ou oligopólio de empresas, ter as suas receitas dolarizadas e ser muito dependente de capital de terceiros (construção civil). A empresa pode ter indicadores contábeis frágeis como dívida líquida/patrimônio líquido muito alto, margem líquida baixa e retorno sobre patrimônio líquido (ROE) baixo. As demonstrações financeiras podem estar auditadas de forma inadequada e com muitas notas explicativas. A governança corporativa pode estar comprometida com conflitos de interesse na diretoria e no conselho de administração. A empresa pode ser líder do setor, mas está vendo o seu market share sendo ameaçado por concorrentes mais ágeis.
  Mesmo que o leigo prefira delegar os seus investimentos a um profissional, é importante que ele tenha um pouco de conhecimento para não ser ludibriado ou prejudicado por um erro técnico do profissional. Ou quando você vai a um mecânico fazer a manutenção do seu carro ou a um médico examinar a sua saúde, você não questiona os procedimentos e os preços cobrados? A mesma coisa você deve fazer em relação ao seu dinheiro. Lembre-se que cada centavo recebido é um segundo da sua vida gasto com o seu trabalho. Valorize-o!


Abraços,
Seja Independente

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Vale a pena contratar um plano de previdência complementar?


Olá pessoal,

  Quem leu o meu último artigo talvez não tenha entendido o motivo pelo qual eu resgatei uma boa parte do meu plano de previdência complementar, que pode ser pública ou privada (no meu caso era privada junto ao banco). Vou explicar aqui de forma mais detalhada esse motivo e mostrar em quais casos um bom plano de previdência complementar pode se encaixar num planejamento financeiro de longo prazo.               
  Primeiramente, vamos tratar sobre as vantagens de se investir em um plano de previdência complementar, especificamente o do tipo PGBL (Plano Garantidor de Benefícios Livres). Enquanto o plano estiver vigente, não incide imposto de renda sobre os rendimentos das aplicações, permitindo uma aceleração maior da massa crítica de recursos. Essas aplicações podem ser deduzidas na declaração do imposto de renda no modelo completo até o limite de 12% da renda tributável anual. Além disso, os herdeiros do titular, após a morte deste, se tornam beneficiários do plano de forma automática, sem passar por inventário. Até aí ótimo, tudo lindo e maravilhoso. O problema, meus caros colegas, é que as taxas de administração dos dois fundos de investimentos que compõe o meu plano são muito altas, sendo o de renda fixa 1,8% a.a. e o multimercado 2,5% a.a., e levando para o longo prazo o efeito corrosivo dessas taxas seria muito grande. Percebi que não compensaria retirar pró-labore mensalmente para ter uma renda tributável a ser abatida na declaração do imposto de renda.




  Após alguns anos de estudo cheguei a algumas conclusões. Não compensa contratar um PGBL em uma instituição privada levando-se em consideração as taxas de administração e as taxas de carregamento -dependendo dos valores a serem aplicados eles podem te isentar dessa taxa - cobradas na maioria das instituições financeiras. Em algumas instituições com spread menor, dependendo dos fundos de investimento a serem acessados pelo titular, consegue-se taxas mais atrativas, mas em compensação corre-se o risco da instituição falir futuramente, pois previdência privada não é coberta pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). É um caso a se pensar para os servidores públicos federais e os executivos seniores das grandes multinacionais que sofrem pesada tributação na fonte. Os primeiros já contribuem para a FUNPRESP que é a autarquia federal que administra os fundos de pensão e os segundos muitas vezes já contam com uma contribuição complementar da empresa multinacional. Mas para quem tem uma renda tributável menor e não conta com a ajuda do empregador, é necessário avaliar a necessidade de contratar um plano, preferencialmente com o auxílio de um profissional (geralmente um consultor ou planejador financeiro).        
  Mesmo com a ajuda de um profissional não é uma decisão simples e fácil de ser tomada, pois existem muitas variáveis que influenciam no andamento do plano. Você pode mudar de cidade, mudar de emprego, sofrer um acidente, ficar doente e/ou inválido, divorciar-se, enfim, vários fatos na sua vida podem impactar todo o seu planejamento financeiro, incluindo aí o seu plano de previdência complementar. O leitor deve compreender que esse tipo de plano implica em um contrato de longo prazo a ser firmado entre ele e uma instituição financeira cujas cláusulas são elaboradas para proteger os interesses da instituição e não os seus. Caso o titular rescinda o contrato antes do prazo definido, ele será severamente punido arcando com taxas de carregamento, taxas de saída (em algumas instituições) e imposto de renda.
  Acredito que as categorias profissionais dos servidores públicos federais são as mais beneficiadas por um plano como esse, pois recebem altas remunerações e, consequentemente, sofrem altos descontos de imposto de renda na fonte, além de uma estabilidade maior no cargo, permitindo uma disciplina maior no aporte de recursos. Para outras categorias profissionais deve se analisar cuidadosamente todos os fatores que possam influenciar no plano, como idade, renda tributável, plano de carreira, aspirações profissionais, riscos ocupacionais, etc. A instituição que irá administrar os recursos também deve ser analisada, como a natureza jurídica, a idoneidade da diretoria, a saúde financeira, entre outros detalhes. Lembrem-se do que ocorreu com os fundos de pensão da Petrobras, dos Correios e de outras estatais. Comodidade não é a mesma coisa de segurança. Independente de qual seja a sua decisão, seja sempre vigilante com o seu dinheiro!       






Abraços,
Seja Independente

domingo, 12 de julho de 2020

Meu início como investidor e os produtos bancários – Parte 2


Olá pessoal,

  Hoje irei falar mais uma vez sobre o meu início como investidor assim como fiz no primeiro artigo publicado aqui no blog em 2018 (ver aqui), pegando um gancho no último artigo publicado aqui (ver aqui). Nesse último artigo eu falei sobre casos de “empoçamento” do dinheiro e que muitas vezes o investidor precisa arcar com um enorme prejuízo para “desempoçar” esse dinheiro. Vou explicar que isso aconteceu no meu início como investidor, mas não da forma mais comum como eu mostrei no artigo, e sim através de produto bancário.
  Conforme vocês leram no primeiro artigo do blog, quando eu comecei a investir, eu optei por uma das formas mais erradas de começar, que foi um plano de previdência privada do banco onde eu tinha conta, do tipo PGBL com tributação regressiva. Eu aportei toda a minha gratificação anual e continuei aportando um pequeno valor mensal durante alguns anos. Após eu perceber o meu erro, eu tomei a decisão de arcar com um enorme prejuízo no início para que o efeito dos juros compostos começasse logo. Explico. Quando você decide resgatar parcialmente esse tipo de produto nesse formato, você arca com uma alíquota muito alta de imposto de renda mais uma pequena taxa de saída (no meu caso foi cerca de 27%) incidente sobre o VALOR TOTAL do resgate e não apenas sobre os rendimentos. Não cheguei a fazer os cálculos na época para não ficar mais triste ainda, mas acredito que a rentabilidade final dos fundos de previdência após os resgates deva ter ficado numa zona intermediária entre o FGTS e a caderneta de poupança. Hoje eu ainda possuo um pequeno saldo nesse PGBL, pois a alíquota pode chegar a até 35% em resgates logo no início.    




  Após resgatar a maior parte da previdência privada, aportei os recursos na corretora onde eu tinha aberto uma conta e comecei a formatar a minha carteira de investimentos. Ainda cometi alguns erros no meio do caminho, mas nada que me tirasse do jogo. E hoje já estou completando 4 anos de investimentos através de uma corretora independente, sem medo de errar e aprender. O investidor deve ter a humildade de reconhecer os seus erros logo no início, aprender a correta lição com eles e recomeçar do zero, sabendo que ainda vai errar muito para aprender e acertar mais vezes ao longo da jornada.   
  Mas se o colega investidor acha que eu tomei essa decisão rapidamente, está muito enganado. Demorei alguns meses para reconhecer o meu erro e concordar com a ideia de arcar com um enorme prejuízo para recomeçar do zero. Já existem estudos acadêmicos que comprovam a tese de que a dor de perder um valor X é maior do que a alegria de ganhar um valor 2X. É como se nossa mente subconsciente (nosso cérebro primitivo) não fosse programada para lidar bem com perdas. É um viés comportamental do ser humano que sempre estará presente nas tomadas de decisões envolvendo dinheiro. E acredite em mim, se você quiser atingir o seu objetivo final, você precisará tomar decisões.       


Abraços,
Seja Independente

sábado, 11 de julho de 2020

Está com dinheiro empoçado né minha filha?




Olá pessoal,

  Muitas pessoas nessa época de pandemia se encontram numa situação de insolvência. E em muitos casos essa situação é decorrente de um erro muito comum cometido por pessoas sem uma educação financeira adequada para investir o seu suado dinheiro: pegar todas as suas reservas (emergência e oportunidade) e “empoçar” num imóvel físico, seja ele um terreno, um apartamento ou uma casa, após uma recomendação de terceiros. No final das contas, essa pessoa fica com todo o patrimônio imobilizado em um único imóvel e sem reservas.
  O conceito de que os imóveis físicos serão sempre um porto seguro e são como as aplicações em renda fixa dos bancos, está enraizado na cultura brasileira, conforme já expliquei em alguns artigos (ver aqui) e (ver aqui). Mas na verdade eles são renda variável, pois os preços são determinados pela oferta e demanda do mercado. Neles predominam os riscos de liquidez, que é o risco de não conseguir vender naquele momento pelo preço desejado, e de vacância, que é o risco do inquilino solicitar o distrato do contrato de aluguel. Então, o que acontece? Muitas pessoas com perfil de risco conservador, sem conhecer a fundo o mercado imobiliário, seguiram recomendações de terceiros (alguns com conflito de interesse) há vários anos atrás, na esperança de auferir um ganho de capital expressivo num momento de boom imobiliário. Mas investimento ruim é a coisa mais comum que existe, ainda mais se tratando de investimentos grandes com baixa liquidez.
  Nesse momento de pandemia, onde muitas pessoas insolventes com dinheiro empoçado precisam de reservas financeiras desesperadamente para quitar as suas obrigações, mas não tem e terminam se endividando, é necessário fazer algumas reflexões. Primeiramente, é necessário evitar as dívidas na pessoa física, pois as dívidas empobrecem o indivíduo e o afastam cada vez mais da possibilidade de se tornar independente. Após se conscientizar disso, é necessário “desempoçar” o dinheiro que era da reserva o mais rápido possível, nem que para isso tenha que arcar com um prejuízo, pois um único investimento ruim é como um câncer para o patrimônio do indivíduo, vai se desvalorizando ao longo do tempo até não valer quase nada. Após desempoçar, é necessário quitar todas as dívidas, e caso sobre algum capital repor as reservas e começar a se educar financeiramente para começar a investir, ou por conta própria ou por delegação a um profissional.


  O indivíduo deve ter em mente que o ser humano está sujeito a errar constantemente em sua vida para que possa aprender. Com o dinheiro não é diferente. Por maior que seja o prejuízo com o “desempoçamento” do dinheiro, procure encarar como um custo de aprendizado. Mas não demore muito a tomar uma decisão, pois quanto mais tempo você demorar, mais você retardará o efeito benéfico dos juros compostos nos seus investimentos. Pense nisso com carinho, por favor. Para que você possa compreender melhor essa situação, recomendo ler esse livro abaixo onde o autor mostra um caso típico de “empoçamento”.   

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Abraços,
Seja Independente