domingo, 5 de julho de 2020

Taxa de juros (Selic) baixíssima e dólar altíssimo: como resolver essa equação?


Olá pessoal,

  Neste artigo de hoje eu falarei sobre um dilema econômico cuja solução está longe de ser unânime entre os economistas. Afinal, qual é a melhor política monetária para um país subdesenvolvido como o Brasil nos dias de hoje? Ancorar a taxa de juros em patamares maiores e permitir a cotação do dólar baixar, ou empurrar a taxa de juros para patamares mínimos e afrouxar o aumento agressivo da cotação do dólar, que é a opção adotada atualmente pelo Ministério da Economia? Eu sei, é um pouco mais complexo do que o normal tomar uma decisão como essa quando existe uma infinidade de variáveis que devem ser levadas em consideração. Vamos discutir.



    Para quem não é muito familiarizado com o estudo da Economia, permita-me tecer algumas breves explicações. A taxa de juros básica fixada pelo Banco Central, chamada Taxa Selic, é a taxa que irá balizar todas as taxas de juros das operações financeiras praticadas pelo mercado. Quando o governo decide adotar uma política monetária contracionista para debelar uma inflação descontrolada, ele ancora a taxa de juros em patamares bem elevados, aumentando a taxa real de juros, que é aquela descontada da inflação. Isso atrai investidores estrangeiros que injetam dólares na nossa economia para surfar nessa onda de juros reais altos e, consequentemente, desvalorizam o dólar perante o real, fenômeno ocorrido na década de 90 nos primeiros anos do Plano Real. Já quando o governo decide adotar uma política monetária expansionista para reanimar uma economia deflacionada ou estagflacionada, ele empurra a taxa de juros para patamares mínimos, deixando a taxa real de juros em muitos casos, negativa. Isso desmotiva investidores estrangeiros a aplicar dólares em nossos juros, o que acarreta uma fuga maciça de dólares, valorizando-o perante o real. Esse último tipo de política monetária é o que está sendo adotado pelo nosso Ministro da Economia, Paulo Guedes. E é por isso que estamos vendo um dólar tão alto.  



  E qual a minha posição em relação a isso? Primeiramente, devemos levar em consideração que a economia mundial ainda está sentindo os efeitos da crise do subprime de 2008, onde o FED (Banco Central Americano) injetou trilhões de dólares na economia. Com um risco iminente de estourar uma nova crise econômica na última década, vários investidores ao redor do mundo resgataram os seus dólares investidos em países emergentes e os aplicaram nos EUA, valorizando a moeda norte-americana perante quase todas as moedas do mundo. Além disso, com a eclosão da pandemia da covid-19 no mundo inteiro, essa busca desenfreada por dólares se intensificou, valorizando-o ainda mais. Diante dessa atual conjuntura econômica internacional e da atual estagnação econômica nacional que já dura vários anos (desde a recessão de 15-16), podemos dizer que a política monetária expansionista é a ideal nesse momento, no meu entendimento. Mas isso está longe de ser um consenso entre os economistas e os estudiosos da matéria. Para quem quer se aprofundar mais nesse assunto, recomendo estudar o pensamento dos economistas da Escola Austríaca de Economia, pensamento esse difundido aqui no país pelo Instituto Mises Brasil. Mises é uma referência ao economista austríaco Ludwig Heinrich Edler von Mises, membro dessa escola. No próprio site do instituto existe um artigo onde se discute esse dilema sob o ponto de vista deles, que é bem ortodoxo (ver aqui). Segundo essa escola de pensamento, que é puramente liberal, todo banco central deveria ser independente e talvez nem devesse existir, pois o monopólio governamental de criação da moeda é o responsável pelas crises econômicas e sendo assim deveriam existir várias moedas em todos os países, concorrendo entre si, cada qual procurando ser a melhor para os consumidores. Esse pensamento é o que corrobora a tese das criptomoedas.    

Ludwig Heinrich Edler von Mises



  Muitos também advogam a favor dessa política monetária expansionista pelo fato de que com um dólar mais alto o Banco Central tem condições de diminuir ainda mais a dívida pública, já que o Brasil é um dos países que mais tem reservas internacionais em dólar no mundo. Alguns economistas discordam frontalmente dessa atitude, como é o caso dos seguidores da Escola Austríaca de Economia. Eu, particularmente, não tenho uma opinião formada a respeito, pois eu não sei quais são os custos envolvidos nesse tipo de transação e, sendo assim, não sei se compensa mais rolar a dívida pública ou vender essas reservas. Apenas sei que é muito importante para qualquer país emergente possuir reservas internacionais em dólar e ouro para utilizá-los em casos de extrema escassez de moeda nacional.

Abraços,
Seja Independente

sábado, 4 de julho de 2020

Minha proposta de reforma tributária

Olá pessoal,

  Neste artigo de hoje eu falarei sobre a reforma tributária, que segundo Guedes, está absolutamente pronta (ver aqui). Eu já falei sobre esse assunto, mais especificamente sobre a taxação de dividendos, num artigo do ano passado (ver aqui). Mas hoje eu falarei sobre qual seria a minha proposta de reforma tributária caso estivesse na linha de frente.   Como muitos devem saber e sentir isso na pele diariamente, o sistema tributário brasileiro é um dos mais complexos e injustos do mundo. Existem uma quantidade obscena de tributos previstos no código tributário e outros tributos camuflados de taxas de serviços utilizados, que são cobrados em efeito cascata, configurando diversos casos de bitributação. Para piorar a situação, os tributos indiretos incidentes sobre o consumo são os de maior alíquota e cobrados de forma equânime, do consumidor mais pobre ao consumidor mais rico, ou seja, as alíquotas se tornam regressivas, onerando muito mais o consumidor de menor renda. Se não bastasse tudo isso, o Brasil é o país no mundo onde os contribuintes mais gastam hora/trabalho para cumprir diversas obrigações tributárias acessórias (ver aqui).
  Diante desse quadro eu elaboraria a seguinte proposta: simplificaria todos os impostos incidentes sobre a renda e o patrimônio em um único imposto que incidiria somente sobre a RENDA. Esse imposto de renda incidiria somente sobre as rendas mais altas, a partir de 10 salários mínimos, e de forma progressiva, aplicando uma alíquota inicial de 20% para a faixa entre 10 e 19 salários mínimos, 25% para a faixa entre 20 e 29 salários mínimos, e assim sucessivamente, podendo essa alíquota chegar a 40% para aqueles que têm renda mensal acima de 50 salários mínimos. Para as empresas reduziria a alíquota do IRPJ (que englobaria todos os federais) para o mínimo possível e compensaria com uma alíquota maior sobre os dividendos, podendo utilizar a mesma tabela progressiva do imposto de renda pessoa física. Já em relação aos impostos incidentes sobre o consumo, eu simplificaria todos em um único imposto, chamado IVA (imposto sobre valor agregado), que seria cobrado somente na venda para o consumidor final. Esse imposto teria a menor alíquota possível, sem a concessão de subsídios e isenções. Para aqueles que têm um patrimônio líquido declarado acima de R$500 milhões, eu cobraria um imposto sobre grandes fortunas (IGF), estabelecendo uma alíquota mínima de 0,05% sobre o PL declarado.    
  Devemos reconhecer que qualquer reforma tributária que seja aprovada no Congresso Nacional não irá diminuir a carga, mas apenas simplificar o máximo possível o sistema. Atualmente o Brasil não tem condições de aliviar o peso dos tributos, pois a máquina pública ainda é gigantesca e necessita de recordes sucessivos de arrecadação nos próximos anos para não colapsar. A diminuição da máquina ainda levará muitos anos para ser realizada. Até lá os governos deveriam reformar todo o aparato estatal para proporcionar mais saúde, educação, segurança e infraestrutura para todos os contribuintes brasileiros, para que assim possamos pagar os nossos tributos sem a sensação de estar sendo roubado.


Abraços,
Seja Independente

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Por que investir em ativos internacionais é tão importante para o brasileiro?




Olá pessoal,

  Neste artigo de hoje eu irei falar (mais uma vez) sobre a importância de diversificar geograficamente. Eu sei que já falei sobre isso em vários artigos aqui no blog, são tantos que até peço encarecidamente ao leitor para pesquisar. Mas hoje irei escrever em tom de desabafo. Explico!
  Quando eu comecei a investir por conta própria, eu já percebia a importância desse tipo de diversificação. Mas ainda não compreendia a fundo o quão importante é para nós brasileiros. Achava, ingenuamente, que após tantos escândalos de corrupção, tantos “voos de galinha”, tantas crises econômicas, e tantos outros sofrimentos, o nosso país como sociedade iria amadurecer, voltar a produzir e começar a fincar as bases de sustentação de um desenvolvimento socioeconômico que nos proporcionasse um futuro mais justo e próspero. Ledo engano! Desde o ano passado eu venho captando os “sinais” de esfalecimento moral, intelectual e econômico da nossa sociedade, corroborando aquele velho ditado de que “O Brasil não é para amadores”. Eu consigo captar nas minhas leituras diárias, na minha atividade profissional, nas conversas entre familiares e amigos, nas atitudes alheias, enfim, de várias formas. O meu ceticismo só fez aumentar a cada dia.         
  Como eu achava que as coisas iriam mudar de uma forma mais acelerada do que o de costume no nosso país, eu resolvi alocar uma parte da minha carteira no ETF IVVB11. Mas após as minhas constatações e o agravamento da crise fiscal decorrente da pandemia, eu compreendi que o IVVB11 não será suficiente para uma boa diversificação geográfica, pois os recursos alocados nele são custodiados no Brasil, possui uma taxa de administração mais alta do que os seus pares nos EUA e não distribui dividendos aos cotistas. Além da desvantagem fiscal de recolher 15% de imposto de renda na venda de cotas com ganho de capital, independente do valor. Portanto, eu resolvi abrir uma conta numa corretora norte-americana chamada Avenue Securities, fundada por brasileiros e com capital social aberto na NASDAQ. É uma corretora já instalada há alguns anos na terra do Tio Sam e que a cada dia aumenta a sua captação de clientes brasileiros, inclusive investidores famosos. Investir diretamente nos EUA abre um leque de opções a nível mundial que o investidor brasileiro não consegue ter aqui.

Abertura de capital da Avenue na Nasdaq

  Mas eu não tomei essa decisão apenas para diversificar a parte “internacional” da minha carteira. Vai muito além disso. Primeiramente, ter investimentos lastreados em dólar é quase como um seguro para a carteira, cumprindo a função de hedge cambial. E você também pode formar o seu patrimônio de uma forma menos onerosa, pejotizando os recursos investidos através de uma empresa offshore (para saber mais clique aqui). Esses dois fatores já são mais do que suficientes para encorajar qualquer investidor que esteja insatisfeito com o nosso país a tomar uma decisão como essa. Sem dúvida nenhuma é uma forma de proteção eficaz contra surtos hiperinflacionários e rupturas político-econômicas em nosso país.    
  Mas é importante ressalvar que essa mudança geográfica dos investimentos deve ser feita com cautela e de forma gradativa. Quem tem IVVB11, assim como eu, sugiro manter. Caso dê alguma “zebra” na Avenue e você precise transferir a custódia dos investimentos norte-americanos para outra corretora lá, os recursos investidos no IVVB11 continuarão diversificando geograficamente a sua carteira enquanto a transferência vai sendo processada. Beleza?


Abraços,
Seja Independente

terça-feira, 30 de junho de 2020

Brasil, um país de endividados!





Olá pessoal,

  Neste artigo de hoje eu irei falar sobre a atual situação financeira da maioria das famílias brasileiras, que é uma situação de endividamento, ou seja, uma péssima situação. Segundo dados do SPC Brasil em janeiro de 2019, um total estimado de 62 milhões de consumidores brasileiros estavam com o nome negativado. E isso na pessoa física (fonte). Na pessoa jurídica a dívida é considerada uma ferramenta necessária em algumas situações temporárias de insolvência ou de investimento. Esse total de endividados representa um percentual de quase 30% da população. Isso significa dizer que uma boa parte da nossa população não consegue gerar capital excedente (riqueza) para ela e para o resto da economia. Vou explicar neste artigo as causas dessa situação e o que deve ser feito para sair dela.
  Como vocês já devem ter percebido, já reiterei em vários artigos publicados aqui no blog que a nossa população carece muito de educação financeira. Além disso, a concentração bancária no país aliada uma taxa de juros historicamente alta permitiu uma “drenagem gigantesca” dos recursos gerados pela classe produtiva através dos juros extorsivos e das taxas abusivas praticados pelos bancos. Tudo isso impediu que os brasileiros conseguissem poupar mais e investir mais e melhor. Com um nível de poupança e investimento muito baixo, o que vemos atualmente no país é uma economia estagnada, uma população mais endividada e pobre, e um cartel de bancos mais rico. Portanto, nós que somos investidores e educadores financeiros, devemos continuar o nosso trabalho de educação financeira, enquanto o governo na figura do Banco Central deve continuar baixando a taxa de juros básica (Selic) de forma responsável e dar as condições necessárias para novos players ingressarem no mercado financeiro, diminuindo gradativamente a concentração bancária atual. 


  

  Para quem atualmente está numa situação de inadimplência (pessoa física), mas quer sair dessa situação e iniciar um planejamento financeiro para alcançar a independência financeira, sugiro dar os seguintes passos: 1º) não contraia mais nenhuma dívida; 2º) comece a poupar uma parte dos seus rendimentos mensais; 3º) com os recursos poupados comece a quitar as dívidas, priorizando as que tiverem uma taxa de juros maior; 4º) após quitar todas as dívidas, continue poupando e avalie qual a melhor forma de começar a investir, podendo ser por conta própria ou podendo ser por delegação a um profissional da área. Mas o mais importante, que precede qualquer passo a ser dado, é ter a consciência de que se endividar frequentemente é um hábito nocivo para as suas finanças e girar a chave será necessário para mudar a sua realidade financeira.
  Se você acha que sair do endividamento e alcançar a independência financeira é algo inalcançável para você, fique você sabendo que existem incontáveis histórias nas mídias sociais (YouTube, Instagram, Facebook etc.) que mostram justamente o contrário, que é perfeitamente alcançável. Ainda duvida? Faça um favor a você mesmo e comece a pesquisar!

Abraços,
Seja Independente

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Reserva de Valor




Olá pessoal,


  Neste artigo de hoje eu irei falar sobre uma classe de ativos que é recomendada por todos os profissionais do mercado financeiro, que são as reservas de valor, especialmente os metais preciosos (ouro e prata) e as criptomoedas (bitcoin). Por falar em bitcoin, já publiquei um artigo sobre ele (ver aqui). Eu irei explicar que não existe uma estratégia padrão para investir nessas reservas, pois depende muito do perfil e dos objetivos do investidor.  
  Afinal, o que é reserva de valor? Basicamente, é uma das funções exercidas pela moeda, que consiste basicamente em preservar o poder de compra do detentor dela ao longo do tempo. Mas quando eu falo em “moeda”, não me refiro unicamente à moeda fiduciária, que é aquele papel-moeda emitido pelos governos que serve como meio de troca de bens e serviços. Também me refiro aos outros meios de troca que preservam o nosso poder de compra ao longo do tempo, como o ouro e o bitcoin. E por que essas duas reservas são recomendadas pelos profissionais do mercado para compor uma carteira? Por que em momentos de hiperinflação, a moeda fiduciária perde o seu valor ao longo do tempo, corroendo o poder de compra de quem a detém (leia esse artigo aqui), restando ao ouro e ao bitcoin desempenhar a função de reserva de valor, pois ambos possuem uma escassez muito maior. Com isso, a demanda por eles tende a aumentar sensivelmente, jogando as suas cotações para cima e, consequentemente, compensando a desvalorização dos ativos que compõem uma carteira, equilibrando, assim, a rentabilidade total dela.     



  Para desempenhar bem essa função estratégica dentro de uma carteira, os profissionais do mercado financeiro recomendam investir em ouro através de contratos negociados na Bolsa de Valores ou fundos de investimento/ETF, e o bitcoin através de Exchanges confiáveis. Mas eu, particularmente, não gosto muito de investir em reserva de valor dessa forma, pois o meu objetivo como investidor não é apenas obter uma rentabilidade razoável no longo prazo, mas também obter uma renda passiva no futuro. Prefiro investir em ouro em meio físico para me socorrer em casos extremos de escassez, exercendo dessa forma uma função de meio de troca. Já em relação ao bitcoin, recomendo ter muita cautela ao investir nele, analisando cuidadosamente as Exchanges disponíveis para aportar, pois muitas não são confiáveis. Também é possível o ataque de hackers que roubam carteiras com o dinheiro virtual.
  É importante que o investidor também saiba filtrar os ensinamentos transmitidos pelos maiores investidores do mundo, em sua maioria bilionários, no que diz respeito ao valor do dinheiro. Para eles, faz muita diferença ter outras reservas de valor que possam socorrê-los em casos extremos de escassez monetária, pois eles têm muito dinheiro. Mas para a maioria esmagadora das pessoas, a regra não é essa. Nós, que não fazemos parte desse seleto grupo, precisamos da moeda fiduciária para poder sobreviver e, consequentemente, dos ativos geradores de renda que compõe as nossas carteiras. Apenas quando atingimos um “valor de arrebentação” da carteira (digamos, R$ 1 MILHÃO), é que nós devemos nos preocupar em formar reservas de valor de uma forma mais consistente. Quando isso acontecer, aumente o percentual alocado em reservas para 5% do total da carteira (sugestão, não recomendação).      
  Como eu disse no início do artigo, não existe uma estratégia padrão para investir em reservas de valor, pois isso varia de acordo com o perfil e os objetivos do investidor. Se o investidor quiser investir em metais preciosos através de contratos ou fundos e em criptomoedas para diminuir o risco da carteira, ótimo! Com certeza ele conseguirá atingir o seu objetivo de obter uma rentabilidade média no longo prazo próxima da almejada no início da formatação da carteira. Mas talvez esse não seja o principal objetivo do investidor, que é o meu caso. E eu posso mudar de ideia no futuro também. O que importa é o investidor se sentir confortável com a sua estratégia, pois investir não pode ser uma atividade que tire o seu sono, pelo contrário, que lhe dê tranquilidade!


Abraços,
Seja Independente

quinta-feira, 25 de junho de 2020

A propaganda do Itaú Personnalité!


Olá pessoal,

  Acredito que muitos de vocês já devem ter visto a propaganda do Itaú Personnalité ou pelo menos a repercussão dela nas mídias sociais (ver o vídeo aqui). O CEO fundador da Corretora XP, Guilherme Benchimol, se manifestou abertamente a respeito do vídeo em suas redes sociais (ver aqui) e (ver aqui), defendendo os assessores de investimentos. Muitos estão opinando que é apenas uma jogada de marketing de ambas, já que o Itaú tem 49% de participação no capital social da XP. Seria uma espécie de “teatro das tesouras” estilo PT x PSDB (risos). Mas não pretendo focar nisso, mas sim num fenômeno que vem ocorrendo no nosso país nos últimos anos. Vou explicar do que se trata.
  Quem tem um pouco mais de idade sabe que no nosso país a taxa de juros básica (Selic) sempre foi historicamente alta, com juros reais atrativos. Após o início do Plano Real em 1995 ela estava na casa dos 53%, chegando a 58% no ano seguinte. Na primeira década do novo milênio a taxa Selic média foi de 15,56%. Isso significa dizer que durante esse período o poupador médio brasileiro aplicava na caderneta de poupança ou no CDB do “bancão” onde ele tinha conta e conseguia obter uma rentabilidade real (descontada a inflação) próxima de 14% ao ano ou 1,10% ao mês, sem fazer nenhum esforço. Repito, rentabilidade REAL, descontada a inflação, num investimento com risco praticamente nulo. Com isso, todo mundo saía ganhando: o gerente conseguia bater as suas metas mensais de recursos captados para o “bancão” e os aplicadores de renda fixa ganhavam os seus juros elevados sem fazer esforço. E por que isso acontecia? Isso acontecia porque o governo optava por debelar a hiperinflação anterior ao Plano Real que corroía o poder de compra do brasileiro com uma política monetária extremamente contracionista, ao invés de debelar também com uma política fiscal responsável. Com a taxa de juros na lua, os estrangeiros procuravam aportar dólares no Brasil para aproveitar essa “Disneylândia dos juros altos”. Com a entrada de mais dólares no país, mais o real se valorizava frente ao dólar (artificialmente, diga-se de passagem), controlando assim a hiperinflação dos preços dos bens e serviços.           
  Diante desse cenário, e como o sistema bancário nesse período era extremamente concentrado em poucos “bancões”, não houve preocupação por parte dos brasileiros em educar-se financeiramente e investir de forma mais arriscada, já que os juros altos estavam garantidos pelo “bancão”, sem necessidade de correr riscos. Sendo assim, o cartel de bancos começou a explorar a falta de educação financeira dos brasileiros e lucrar em cima disso, empurrando péssimos produtos bancários, como títulos de capitalização, consórcios (isso nem é investimento!), fundos de investimentos de renda fixa e previdências privadas com taxas de administração exorbitantes, etc. Sem contar as taxas de juros cobradas no cheque especial, cartão de crédito e empréstimos. De fato, nunca houve uma preocupação com o cliente por parte dos “bancões”, mas sim com o atingimento de metas impostas “goela abaixo” aos seus gerentes de contas.
  Porém, para a nossa sorte, está havendo uma redução da taxa Selic de forma gradativa nos últimos 3 anos. Hoje a Selic está em 2,25%, com uma rentabilidade real negativa. Isso força o aplicador da caderneta de poupança e de outros produtos bancários de péssima qualidade a saírem da zona de conforto para buscar uma rentabilidade maior, seja por conta própria através de conhecimento adquirido, seja delegando os seus investimentos a um profissional da área. E é aí que entra a figura do agente autônomo de investimento (comumente chamado de assessor de investimentos), defendido pelo fundador da XP, Guilherme Benchimol. Esse profissional é um “gerente” que trabalha em um escritório vinculado a uma corretora de valores. Mas diferente do gerente tradicional do banco que se preocupa apenas com o cumprimento de metas, mesmo que para isso tenha que empurrar “tranqueira” para o cliente, o assessor de investimentos disponibiliza ao seu cliente um atendimento personalizado, dedicando uma atenção full time a ele. O assessor, primeiramente, procura identificar qual é o perfil do seu cliente e com isso busca formatar uma carteira de investimentos de acordo com esse perfil. Além disso, as corretoras não ofertam para os seus clientes produtos de péssima qualidade, pois o foco está na satisfação do cliente. Esse tipo de profissional não recebe um salário fixo. Ele recebe comissionamentos de acordo com o volume de recursos captados da sua carteira de clientes para a corretora. O assessor, antes de mais nada, é um empreendedor que arrisca o seu próprio dinheiro para prestar um serviço de assessoria aos clientes. Percebem a diferença?     
  Não pretendo aqui neste artigo desmerecer os gerentes de bancos ou qualquer outro tipo de profissional do mercado financeiro que tenha se sentido ofendido. Quem sou eu para julgar alguém, ainda mais sabendo que cada um precisa sustentar a sua família e proporcionar um futuro mais digno para os seus filhos? Eu apenas pretendo mostrar aqui que está havendo uma mudança cultural na prestação de serviços de assessoria financeira no nosso país, com foco em primeiro lugar no cliente. E isso é muito importante para a população brasileira. Portanto, alegrai-vos!


Abraços,
Seja Independente

sexta-feira, 19 de junho de 2020

A robotização da mão-de-obra barata

Olá pessoal,

  Quem acompanha aqui o meu blog deve ter lido um artigo publicado nessa semana onde eu tratei sobre o aumento assustador da desigualdade social que haverá no futuro (ver aqui). Um dos fatores que influenciarão nesse aumento que eu destaquei no artigo é a robotização da mão-de-obra barata. É um fator que também me preocupa bastante. Vou explicar.  
  Quem gosta de acompanhar o surgimento de novas tecnologias e/ou tem o hábito de assistir documentários que tratam sobre as revoluções tecnológicas que houveram na história do capitalismo, tem pleno conhecimento do que está acontecendo nas empresas ao redor do mundo. Muitos empregos já deixaram de existir, muitos deixarão de existir em breve e muitos empregos novos surgirão num futuro próximo (ver aqui). Acredito que os países desenvolvidos têm consciência desse problema e buscarão implementar políticas públicas de educação para preparar os seus jovens em relação à essa robotização dos postos de trabalho. A minha preocupação é em relação aos países subdesenvolvidos com ensino público de baixa qualidade, como o Brasil. Uma preparação bem feita para enfrentar essa robotização passa necessariamente por uma boa oferta de ensino público, do básico ao médio/técnico.    



  Não basta apenas investir mais recursos públicos na educação. Precisamos aumentar a eficiência e a eficácia das nossas políticas públicas de ensino, ou seja, conseguir formar profissionais capacitados para o novo mercado de trabalho otimizando os recursos públicos investidos. Na minha opinião, deveríamos investir na educação básica (da pré-escola ao ensino médio/técnico) ao invés de despejar bilhões de reais em universidades federais, valorizar os nossos professores através de uma política salarial baseada na meritocracia e implementar políticas públicas de integração entre as escolas e as famílias dos estudantes ( comunidade). As escolas públicas devem ter um maior protagonismo na vida das pessoas de uma determinada região, contribuindo para o seu desenvolvimento socioeconômico.
  Confesso que um dos meus setores preferidos na Bolsa de Valores, não do ponto de vista financeiro, mas do ponto de vista social, é o setor educacional. As instituições de ensino são os elementos propulsores do desenvolvimento social de qualquer país. Continuarei investindo nesse setor aconteça o que acontecer, pois assim eu poderei contribuir para o desenvolvimento do meu país de uma forma mais concreta. Obviamente que existem outros setores que cumprem uma função social importante, como o setor de saúde. Mas não se compara, na minha visão, com o setor educacional. A Cogna (antiga Kroton) é a maior empresa do setor no Brasil atualmente (já falei dela nesse artigo aqui) e está investindo fortemente na educação básica através de empresas que compõe a sua holding, a Saber e a Vasta. 
  Enfim, a única forma de enfrentar o processo de robotização no mercado de trabalho e catapultar o desenvolvimento econômico de um país é investir com qualidade na educação. Investir em infraestrutura, em abertura de mercados com privatização de estatais, em importação de mão-de-obra qualificada etc., gera um crescimento econômico de curto e médio prazo. Mas não gera um crescimento econômico de longo prazo de forma sustentável. Como eu já falei diversas vezes em outros artigos: pessoas e cultura são a matéria-prima para o desenvolvimento econômico de um país. Guardem isso por favor! 


Abraços,
Seja Independente