domingo, 9 de fevereiro de 2020

A taxa Selic está com rentabilidade negativa. E agora?

Olá pessoal,
                            
  Como todos devem saber, nessa última semana o COPOM (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou mais 0.25 pp (zero vírgula vinte e cinco pontos percentuais) da taxa Selic, fixando-a em 4,25% ao ano. Quem acompanha este blog deve se recordar de um artigo que publiquei em 22 de Setembro de 2019 intitulado “A pergunta que não quer calar: a taxa Selic caiu. E agora?”, onde eu expliquei que os investidores não deveriam se preocupar aonde investir após o corte de 0.5 pp (meio ponto percentual) na época. Para ler o artigo, (veja aqui).  Mas dessa vez a situação é um pouco diferente. Na época a taxa Selic ainda estava com juros reais, ou seja, ainda estava rendendo acima da inflação, mesmo que muito pouco, diferente do momento atual onde a rentabilidade não supera sequer a inflação (4,25% < 4,31%).
  Agora a preocupação do investidor é saber aonde alocar a sua reserva de emergência, já que a taxa Selic é a balizadora da rentabilidade de todos os outros títulos de renda fixa distribuídos no mercado financeiro. Para ser bem sincero, está difícil encontrar uma opção com o mínimo de rentabilidade para não perder da inflação. Talvez o investidor encontre uma rentabilidade melhor nos CDBs de bancos de menor porte, porém não contará com o pilar mais importante para uma reserva de emergência, que é a liquidez. Muitos desses títulos não permitem resgate antes do vencimento, e os que permitem pagam uma rentabilidade menor. Infelizmente não há muito que fazer nessa situação. Na verdade, o investidor deve entender que em vários países no mundo os títulos públicos possuem juros negativos (veja aqui) e com o Brasil não será diferente. É melhor se conformar e procurar ser mais arrojado nos investimentos ou tocar um negócio. Lembre-se sempre que o pilar prioritário na reserva de emergência é a liquidez, e não a rentabilidade. O RENTISMO no Brasil está morrendo! Não existe mais ganho fácil na renda fixa. Está na hora dos investidores brasileiros mudarem o seu mindset e estudar um pouco sobre investimentos ou empreender, ou então se conformar com os juros ínfimos da renda fixa, o que eu não aconselho.
   Quero deixar registrado aqui o meu grito de alerta. Se os brasileiros não começarem a se preocupar com o seu futuro desde agora e continuarem delegando para o governo (previdência social) ou para os bancos (previdência privada), terão sérios problemas no futuro. Agora, mais do que nunca, aumenta a necessidade de estudar e se arriscar um pouco mais, mesmo que o cidadão contrate um profissional para cuidar de seus investimentos, pois como qualquer ser humano, os profissionais são passíveis de erro também, por mais competentes que sejam. Reflitam a respeito!

Abraços,
Seja Independente

sábado, 28 de dezembro de 2019

Fundos de Investimentos



Olá pessoal,
                            
  Hoje eu vou abordar um assunto muito importante para os investidores, que são os fundos de investimento. Existe atualmente uma variedade muito grande de fundos de investimento, inclusive alguns são desconhecidos pela maioria dos investidores, que são aqueles fundos destinados aos investidores qualificados e profissionais. Vou explicar neste artigo as características de cada classe de fundos e as suas desvantagens, e os cuidados que todo investidor deve ter ao selecionar os fundos para a sua carteira.
  Primeiramente, vamos falar sobre as principais classes de fundos de investimentos regulamentadas pela CVM, aquelas que são mais acessíveis para o público investidor em geral. Existem os fundos de renda fixa, os fundos de ações, os fundos multimercados e os fundos cambiais. Algumas delas têm as suas subclassificações. Por exemplo, dentro da classe de renda fixa, existem os fundos Referenciados, os fundos de Curto Prazo, os fundos de Longo Prazo, os fundos Simples e os fundos de Dívida Externa (veja aqui). Dentro da classe de ações, existem os fundos BDR Nível 1 e os fundos Mercado de Acesso (veja aqui). Já os fundos multimercados e os fundos cambiais não possuem subclassificações. Todos esses fundos de investimento são, via de regra, abertos, o que significa dizer que eles podem ter as suas cotas resgatadas pelo cotista depois de um prazo de carência. Mas existem outros fundos de investimentos regulamentados pela CVM que são fechados, ou seja, as suas cotas não podem ser resgatadas a qualquer momento, apenas nos casos de encerramento do fundo ou venda das cotas no mercado secundário. Dentre eles, os mais conhecidos são os fundos de investimentos imobiliários, cuja aquisição das cotas é realizada da mesma forma das ações, pelo home broker (veja aqui).  
  Agora vamos falar sobre as desvantagens dos fundos de investimentos. Uma desvantagem que é comum a todos eles, com a exceção dos fundos de ações, dos fundos imobiliários, dos fundos de previdência privada e dos fundos de debêntures incentivadas, é o imposto de renda come-cotas. O que seria esse “come-cotas”? É uma antecipação do recolhimento do imposto de renda que ocorre a cada seis meses, no último dia de maio e no último dia de novembro. Esse nome vem justamente do fato desse imposto deduzir as cotas que os cotistas têm no fundo, ao invés de reduzir o valor da cota. Esse IR incide sobre os rendimentos do fundo e não sobre o valor total aplicado. Dito isso, é muito importante para o investidor que gosta de investir através de fundos atentar para esse detalhe. Mas a decisão de aportar nesses fundos vai depender principalmente dos objetivos a serem alcançados. Por exemplo, um investidor pretende morar no exterior definitivamente daqui a alguns anos e decide investir num fundo cambial para não perder poder de compra nos primeiros meses no exterior. Mesmo com esse custo antecipado, o investidor terá as suas necessidades atendidas de forma segura. Outra desvantagem inerente a todos os fundos, sem exceção, é a majoração das taxas de administração dos fundos ao longo do prazo de duração deles. Essa taxa é a remuneração do administrador do fundo e de toda a sua equipe, inclusive do gestor que gerencia o portfólio de ativos do fundo. Em alguns casos, é plausível majorar essa taxa após vários anos de boa gestão e entrega de rentabilidade acima da média do mercado. Lembrando que essa majoração só pode ser efetivada após autorização dos cotistas em Assembleia Geral Extraordinária de Cotistas. Mas em vários outros casos não se justifica a majoração da taxa. Na Assembleia, os cotistas são convencidos a aceitarem essa majoração, sem uma justificativa razoável, corroendo a rentabilidade do fundo ao longo do prazo de duração dele.

Imposto de renda come-cotas

                                   


  Existem outras desvantagens em relação aos fundos de investimentos, mas me ative apenas aos que considero como mais importantes, para o artigo não ficar muito extenso. Por essas e outras razões que eu invisto apenas em fundos imobiliários e ETF (Exchange Traded Fund), pois são fundos que no meu ponto de vista apresentam mais vantagens do que desvantagens. Os fundos imobiliários não sofrem incidência de IR come-cotas, pagam rendimentos mensais isentos de imposto de renda e costumam gerar valor ao longo do tempo (são ativos de renda variável). Já os ETF são excelente instrumento de diversificação, já que são atrelados a um determinado índice e costumam ter baixa taxa de administração. Lembrando aqui que não estou recomendando nenhum tipo de investimento. Cabe ao investidor tomar todos os cuidados antes de investir em um determinado fundo: ler o regulamento e o prospecto do fundo para tomar ciência dos riscos inerentes a ele, entender a política de investimento do fundo e saber se a mesma se encaixa com os seus objetivos, conhecer quem são o administrador e o gestor do fundo, saber a quantidade de cotistas e o valor do patrimônio líquido do fundo, etc.
  Os fundos de investimento geralmente são os primeiros investimentos realizados pelos investidores iniciantes. Mas é necessário entender como eles funcionam antes de decidir se investe ou não investe. Caso o futuro cotista não tenha interesse em se tornar um verdadeiro investidor e não tenha tempo para estudar um pouco a respeito, é interessante contratar um profissional habilitado para assessorá-lo nesses momentos. É um custo que se paga. Afinal, com o nosso dinheiro suado não dá para brincar, não é mesmo?
 
Abraços,
Seja Independente

sábado, 21 de dezembro de 2019

Investimento no Exterior



  Olá pessoal,
                            
  Hoje eu vou abordar um assunto muito importante para os investidores, que é o investimento em ativos no exterior. Como alguns já devem saber, existem duas formas de se investir em ativos internacionais. A primeira é investindo diretamente aportando em uma corretora local através de remessa de dólares. A outra é investindo em produtos lastreados em ativos internacionais emitidos no Brasil, como fundos de investimento em ativos internacionais, ETF (Exchange Traded Fund) e BDR (Brazilian Depositary Receipt). Vou explicar no artigo no que implica investir em cada modalidade e qual deles atende melhor o objetivo específico de cada investidor.
  Primeiramente, vamos falar sobre o investimento direto através de remessa de dólares. Nesse caso, o investidor necessita previamente abrir uma conta em uma corretora de valores no exterior, como por exemplo, a corretora Avenue Securities, que tem sido bastante requisitada pelos brasileiros nos últimos anos (veja matéria). Após abrir a conta, o investidor necessita remeter os dólares para os EUA através de uma instituição financeira que vai cobrar uma taxa para tal serviço. Desde 2016 existe uma plataforma digital em parceria com o Banco Máxima que faz essa remessa de uma forma muito mais acessível, chamada Remessa Online (ver matéria). Ela tem sido muito requisitada desde então, assim como a Avenue Securities. Sendo assim, o investidor não residente nos EUA passa a ter acesso ao maior mercado de valores mobiliários do mundo, com toda a sua gama gigantesca de ativos. Mas vale uma ressalva aqui. O investidor de longo prazo que tem o objetivo de obter renda passiva dos seus investimentos capaz de garantir uma independência financeira a ele, dificilmente vai conseguir isso num tempo razoavelmente esperado pela maioria dos investidores (15 a 20 anos), a não ser que esse investidor tenha uma grande capacidade de aportar somas de recursos relevantes na corretora norte-americana, o que não é o caso da maioria dos investidores brasileiros de renda média. Essa dificuldade de obter uma renda passiva em dólares somada a uma renda passiva em reais, capaz de garantir uma tranquilidade financeira, se deve ao fato dos ativos norte-americanos serem bem menos acessíveis aos brasileiros, começando pela disparidade do câmbio, ou seja, o investidor nacional precisa de um valor hoje QUATRO vezes maior para investir em um ativo internacional de uma forma “equitativa”, sem contar as taxas de remessa. Outro detalhe relevante é que, não apenas hoje, mas historicamente, os ativos norte-americanos são bem mais valorizados do que os ativos brasileiros, ou seja, eles são mais “salgados”, e isso se deve a uma série de fatores, dentre eles, a estabilidade político-econômica dos EUA, diferente do nosso país, que sempre foi instável.




  Mas isso significa dizer que não devemos investir no exterior? De forma nenhuma, muito pelo contrário. E é aí que entra a outra modalidade que é investir em produtos lastreados em ativos internacionais emitidos e distribuídos pelas instituições financeiras nacionais (bancos e corretoras). Em minha opinião, a melhor alternativa e é a que eu utilizo hoje para mim, é o ETF, que nada mais é do que um fundo de ações tendo como referência um índice da bolsa de valores. Esse fundo é gerido por um gestor profissional que compra e vende ações desse índice para obter o melhor resultado possível. A grande vantagem desse produto de investimento é que ele possui taxas de administração mais baixas do que o fundo de investimento tradicional, aumentando, por conseguinte, a rentabilidade. A forma de adquirir cotas de ETF é a mesma adotada para adquirir ações ou cotas de fundo de investimento imobiliário. O único ETF internacional distribuído aqui no Brasil que eu conheço é o IVVB11, gerido pela BlackRock Brasil (ver aqui). Outro produto emitido e distribuído no Brasil é o BDR, que são recibos de depósitos lastreados em ações norte-americanas. Eles se dividem em Patrocinados e Não-Patrocinados. Os Patrocinados são destinados apenas para investidores qualificados, ou seja, são mais restritos. Os Não-Patrocinados são distribuídos ao público em geral, porém são inacessíveis para o investidor de renda média. Existem alguns fundos de BDR Não-Patrocinados distribuídos pelos bancos e corretoras, porém eles exigem uma aplicação mínima e uma taxa de administração mais altas. Prefiro os ETF’s.



  Percebam que o objetivo de diversificação é muito mais acessível para o investidor de renda média do que o objetivo de obter renda passiva. E a diversificação é facilmente obtida investindo em produtos lastreados em ativos internacionais emitidos e distribuídos no nosso país. Mas isso não significa dizer que isso valerá para o investidor de renda média durante toda a sua caminhada, pois muitos fatores podem mudar a estratégia de diversificação adotada inicialmente. Esse investidor pode aumentar drasticamente a sua renda mensal ou receber uma herança muito grande que o permita a investir em outro patamar, acessando o mercado norte-americano de forma mais acessível. Enfim, não existe uma forma ideal para investir no exterior, pois existe uma infinidade de fatores que influenciam a tomada de decisão. Cabe ao investidor ponderar!
 
Abraços,
Seja Independente


sábado, 23 de novembro de 2019

Livro A Lógica do Cisne Negro, do autor Nassim Nicholas Taleb e Livro Rápido e Devagar, do autor Daniel Kahneman






Olá pessoal,
                            
  Alguns leitores já devem estar se perguntando por qual motivo irei falar sobre dois livros em um único artigo. E eu respondo: porque eles são complementares. Acredito que muitos investidores já devem ter ouvido falar neles, inclusive já citei o livro de Nassim Taleb em alguns artigos deste blog. São livros com uma abordagem filosófica, não apenas na área de investimentos, mas em várias outras áreas da vida. Inclusive o autor do livro Rápido e Devagar cita as ideias do livro de Nassim Taleb em vários capítulos para corroborar as suas. É apenas um detalhe dentre vários outros que explicam porque esses dois livros são tão complementares.
  Primeiramente, vamos falar sobre o livro A Lógica do Cisne Negro. A principal mensagem que o autor procura transmitir no livro é que devemos ser antifrágeis, ou seja, que nós devemos formatar uma carteira de investimentos antifrágil, que consiste basicamente em alocar ativos descorrelacionados, onde uns têm baixa volatilidade e outros têm alta volatilidade, em uma proporção ideal de forma que a carteira não seja abalada por “Cisnes Negros”. Para quem já leu o livro ou um dos meus artigos em que cito-o, sabe que na verdade o autor recomenda uma estratégia chamada Barbell (estratégia do supino), que consiste em alocar 90% da carteira em títulos públicos e 10% em opções de ações. Pelos motivos já explicados no último artigo em que falei sobre essa estratégia, não curto muito adotá-la aqui no Brasil. Mas a antifragilidade pode ser perfeitamente obtida por várias outras estratégias, já bastante discutidas nos artigos publicados neste ano.
  Já o livro Rápido e Devagar, do autor ganhador do prêmio Nobel de Economia Daniel Kahneman é uma das obras filosóficas mais respeitadas da atualidade. Suas ideias tiveram um impacto profundo em várias áreas, como economia, psicologia, medicina e política. A principal mensagem que o autor procura transmitir no livro é que a tomada de decisões de todo e qualquer ser humano nunca será puramente racional, mas sim permeada por pensamentos, sentimentos e impulsos. E isso é comprovado exaustivamente no livro através de uma infinidade de pesquisas acadêmicas. No tocante a área de investimentos, o autor comprova que o principal inimigo do investidor são as suas próprias emoções, quando ele fala que o pensamento predominante na tomada de decisões é o de perda, ou seja, mesmo sabendo que as probabilidades lhe são desfavoráveis, o investidor persiste na decisão errada, pois o pensamento de perda é proporcionalmente maior (mais impactante) do que o pensamento de ganho. O autor também fala sobre vários outros vieses do comportamento humano, como confiança excessiva (lembre-se sempre do círculo de competência), conforto cognitivo, associação equivocada de ideias, e vários outros vieses.
  Mas o colega investidor ainda deve estar se perguntando: “Por que eles são complementares?”. Simples: eles transmitem a mesma mensagem, de formas diferentes, mas é a mesma. E qual é a mensagem? Nenhum ser humano tem o controle sobre o que irá acontecer no mundo no futuro. As variáveis externas que influenciam todas as áreas da vida, não apenas a de investimentos, estão fora do nosso controle. Nós temos controle apenas sobre os nossos hábitos. Nenhum “especialista” pode prever a taxa básica de juros, a taxa de crescimento do PIB, o resultado das próximas eleições, qual será a próxima invenção tecnológica em tal área, quando (e se) haverá uma cura para o câncer, quando (e se) haverá uma guerra mundial, enfim, é impossível prever qualquer coisa. Por isso que tantos educadores financeiros pregam o seguinte: os fatores mais importantes para a construção de patrimônio são tempo e aporte. Rentabilidade está fora do nosso controle, pois podemos melhorar um pouco, mas nunca determinar, “cravar”.
  Para finalizar, gostaria de dizer que os dois livros são ótimas leituras apesar de em alguns momentos serem enfadonhos, pois ambos têm uma linguagem um pouco mais rebuscada e ambos são repetitivos, ou seja, poderiam ser resumidos em menos capítulos (os autores são um pouco prolixos). Mas são importantes para a construção de mindset do bom investidor. Boa leitura!

Abraços,
Seja Independente


terça-feira, 19 de novembro de 2019

Taxação de dividendos. E agora?


Olá pessoal,
                            
  Alguns leitores já devem ter visto na mídia especializada que existem atualmente no Congresso Nacional várias propostas para acabar com a isenção tributária dos dividendos, ou seja, voltar a taxar os dividendos. Se algum leitor está por fora do assunto, basta pesquisar no Google que vai aparecer uma enxurrada de matérias a respeito. Vou explicar neste artigo que não há tanto motivo para preocupação e pode até ser benéfico para o investidor no longo prazo dependendo da forma como o projeto de lei será votado.
  Primeiramente, o caro colega investidor precisa entender que as chances do Congresso Nacional aumentar a carga tributária das empresas com essa taxação de dividendos são remotíssimas, para não dizer impossível, pois caso contrário seria simplesmente “um tiro no pé” dado por eles. Digo isso porque a população brasileira (famílias e empresas) não aguenta mais pagar tanto imposto sem ter um retorno condizente e aumentar a carga agora iria totalmente de encontro à política expansionista do governo, necessária para a retomada do crescimento econômico, com geração de emprego e renda. Sendo assim, o Congresso provavelmente faria uma compensação, reduzindo a alíquota dos tributos incidentes sobre a pessoa jurídica.
  Mas percebam que essa compensação pode até ser benéfica para os investidores, pois com a redução da carga incidente sobre o PJ, os bens e serviços ficarão mais baratos, permitindo uma maior oferta e demanda e, consequentemente, um maior lucro para os acionistas. Mesmo com a taxação, os dividendos serão proporcionalmente maiores. Isso irá gerar um círculo virtuoso para as empresas e, consequentemente, para os seus acionistas. Sem contar que no futuro poderão até reduzir a alíquota do imposto incidente sobre os dividendos, como uma forma de incentivar a população brasileira a investir nas empresas listadas na Bolsa de Valores.
  Enfim, em relação a essa taxação dos dividendos, melhor dizendo, “fim da isenção tributária dos dividendos”, estou otimista, pois não acredito que o Congresso irá regredir aumentando a carga tributária das empresas, prejudicando não apenas as grandes empresas listadas na Bolsa, mas principalmente as microempresas e empresas de pequeno porte, que são a grande maioria e as que mais geram empregos no nosso país.

Abraços,
Seja Independente

sábado, 5 de outubro de 2019

Receita caseira para quem não se interessa!


Olá pessoal,
                            
  Alguns devem estar se perguntando o que eu quero dizer com “não se interessa”. Na verdade, esse artigo é uma continuação do último artigo publicado chamado “A pergunta que não quer calar: a taxa Selic caiu. E agora?”. Neste artigo vou focar mais especificamente naquele público de investidores que não se interessam por investimentos, seja por que tem medo do desconhecido ou por que não gostam do assunto. A receita caseira a que me refiro no artigo é uma estratégia de investimentos que pode ser adotada por qualquer pessoa. Vou explicar no que ela consiste.
  Primeiramente, é importante estabelecer aqui o público alvo para a adoção dessa “receita caseira”, que são aqueles investidores muito conservadores, que sempre investiram na caderneta de poupança ou naqueles fundos de investimentos/previdência privada dos bancos com taxas de administração abusivas, e na melhor das hipóteses, em imóveis físicos. Para sermos bem sinceros, a grande maioria dos brasileiros que tem o hábito de poupar tem esse perfil de investidor (se é que podemos chama-los disso). São pessoas que ainda carecem de educação financeira, pois sabemos que esse assunto, historicamente, não é ensinado em sala de aula no nosso país. Chega a ser uma questão cultural. Como alguns devem saber, no Brasil existem pouco mais de 1 (hum) milhão de CPFs cadastrados na Bolsa de Valores de São Paulo, ou seja, apenas um pequeníssimo percentual da população brasileira investem diretamente na “fonte”, cerca de 0,5% da população total. Na Colômbia, país latino-americano assim como nós, esse percentual chega a 6% (fonte). Então, para esse tipo de público, a “receita caseira” irá funcionar com eficiência, permitindo ao investidor muito conservador ter tempo livre para trabalhar no que é bom (lembre-se do círculo de competência) e ao mesmo tempo atingir os seus objetivos. E no que ela consiste? Investir a maior parte da carteira em Tesouro Selic, variando de 70 a 90%, de acordo com o perfil do investidor, e o restante em ETF brasileiro (BOVA11) e ETF norte-americano (IVVB11). O investidor poderá aportar periodicamente nessas três classes de ativos e dormir tranquilamente, sem se preocupar com nada. Com toda a certeza, essa “receita caseira” performará melhor do que muitas previdências privadas de grandes bancos, permitindo ao investidor uma massa de recursos digna de uma bela aposentadoria. Vale salientar que essa estratégia apenas surtirá efeito se for através de uma corretora/distribuidora de valores imobiliários independente, onde o spread bancário é bem menor do que os dos grandes bancos, pois os custos também contam no resultado final.
  Mas como nem tudo são flores, essa estratégia também possui desvantagens. Ela não permitirá ao investidor obter renda passiva, pois os proventos das ações que compõem os ETFs são reinvestidos no próprio ETF, não sendo assim disponibilizados ao investidor. Outra desvantagem é o fato de o investidor não ter muita margem de manobra para alterar, pois os custos para tal são mais altos, como as alíquotas do imposto de renda do Tesouro Selic e do ETF norte-americano IVVB11, inviabilizando os resgates que porventura o investidor queira realizar. Entretanto, se o investidor tiver plena consciência de suas limitações, como inaptidão para investir por conta própria e tempo para estudar, e resolver adotar essa estratégia com fidelidade irrestrita, ele pode ter ótimos resultados no longo prazo e em alguns casos se sair até melhor dos que muitos investidores com um bom tempo de estrada.
  Enfim, cabe ao investidor decidir o que é melhor para o seu futuro. É melhor, em minha opinião, que o investidor, por mais conservador que seja, tome decisões que o tirem da zona de conforto e o coloque em um patamar mais elevado no futuro, do que depender de terceiros na velhice, seja o governo por meio de uma previdência pública ou um banco por meio de uma previdência privada com taxa abusiva. Lembrem-se, apenas o conhecimento liberta, em qualquer área da vida. Na área dos investimentos não é diferente!

Abraços,
Seja Independente

domingo, 22 de setembro de 2019

A pergunta que não quer calar: a taxa Selic caiu. E agora?


Olá pessoal,
                                                                                                                                                        
  Como todos devem saber, nessa última semana o COPOM (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou mais 0.5 pp (meio ponto percentual) da taxa Selic, fixando-a em 5,5% ao ano. E tenho visto muitos investidores perguntarem aonde deveria investir a partir de agora, após esse corte. Quem faz esse tipo de pergunta ainda não compreendeu o que é investir. Eu sei que é duro para alguns investidores ler esse tipo de comentário, mas é a verdade! Mas primeiro deixem-me explicar as razões para tal comentário.
  Primeiramente, o investidor deve compreender que existem 03 (três) pilares que sustentam qualquer investimento: rentabilidade, liquidez e segurança. Cada investimento deve possuir cada um desses três pilares, não necessariamente na mesma escala, mas em escalas diferentes. O que vai definir a escolha por um investimento é o objetivo a ser atingido pelo investidor, podendo ser: formar patrimônio e/ou receber renda passiva, diminuir o risco não diversificável da carteira, ou constituir reserva de emergência. Cada tipo de investimento vai atender cada um desses objetivos de acordo com os pilares mais fortes que cada um deles possui. Uns têm uma escala maior de rentabilidade, como as ações e os fundos imobiliários, então serão ideais para formar patrimônio e/ou receber renda passiva. Outros têm uma escala maior em liquidez, como o título público tesouro Selic ou a caderneta de poupança, então serão ideais para constituir reserva de emergência. Outros já têm uma escala maior em segurança, como os títulos públicos atrelados à inflação, então serão ideais para diminuir o risco não diversificável da carteira. Mas vale ressaltar que isso não quer dizer que esses investimentos não tenham os outros pilares. Eles têm sim, mas em menor escala. Por exemplo, quem pretende constituir uma reserva de emergência deve optar por investimentos com maior liquidez, ou seja, com maior facilidade para transformar em dinheiro. Os investimentos apropriados para formar patrimônio não possuem muita liquidez e, sendo assim, não devem ser escolhidos para tal finalidade.





  Diante do exposto acima, já podemos responder a pergunta que não quer calar: a taxa Selic caiu. E agora? E agora não muda nada. A estratégia de investimento permanece a mesma, sem alterações. Você poderá continuar aplicando no tesouro Selic sem se preocupar com a rentabilidade, pois esse pilar aqui não nos interessa. O que interessa aqui é a liquidez, pois esse investimento servirá para constituir a nossa reserva de emergência, podendo até diminuir o risco não diversificável da carteira, diga-se de passagem. Para aqueles investidores conservadores que investiam no tesouro Selic com o objetivo de formar patrimônio, não se preocupem. Essa lacuna aberta com o corte da Selic pode ser preenchida com uma alocação pequena em fundos de ações ou em ETF, como o BOVA11 ou o IVVB11, ou em fundos imobiliários. Se ainda assim se sentirem inseguros com posições em renda variável, mesmo que muito pequenas, lamento informar, mas mesmo na renda fixa (ou será perda fixa?), o risco não desaparecerá. Existem ativos de renda fixa com rentabilidades mais atraentes do que as dos títulos públicos, como os CDB de bancos e as debêntures de empresas, mas o risco de calote é maior. Você pode até questionar o seguinte: “Ah, mas caso eu leve o calote o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) irá me ressarcir”. Mas em alguns casos o FGC leva vários meses para ressarcir os credores que levaram calote (ver matéria). E aí entra a questão do custo de oportunidade. Enquanto você aguarda o ressarcimento, o seu dinheiro poderia estar rendendo em outro investimento. Resumindo, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. O risco é inerente a todos os investimentos, sejam eles de renda fixa ou de renda variável. O que podemos fazer é administrar os riscos através de uma boa diversificação e posições em reservas de valor (criptomoedas e metais preciosos, por exemplo).
  Enfim, é primordial para o investidor compreender as peculiaridades de cada tipo de investimento. Não existe investimento bom e investimento ruim, mas sim investimento ideal para cada objetivo e para cada perfil. Não confundir com produtos bancários, como consórcios, títulos de capitalização e previdências privadas e fundos de investimentos com taxas de administração abusivas, que atendem única e exclusivamente aos interesses dos bancos e não aos interesses dos clientes. Não os considero como investimentos, pois em todos eles os pilares da rentabilidade e da segurança são frágeis ou quase inexistentes. As únicas exceções são a caderneta de poupança e raríssimos fundos de investimento com baixíssima taxa de administração, pois esses possuem o pilar da liquidez, somente. Hoje já é possível investir através de corretoras. Em menos de uma hora consegue-se abrir uma conta e muitas delas isentam o investidor de taxa de corretagem e taxa de custódia, vantagem que não existe nas corretoras dos grandes bancos. Fica a dica!

Abraços,
Seja Independente