sábado, 11 de julho de 2020

Quais são os profissionais do mercado financeiro?


Olá pessoal,

  Muitos que estão começando a investir, independente de ser por conta própria ou por delegação a um profissional, estão se deparando com uma diversidade grande de profissionais do mercado financeiro no seu dia-a-dia e acham que todos exercem a mesma função. Mas não é bem assim. Vou explicar neste artigo quais são os profissionais que atuam no mercado e as funções que cada um deles exerce.
  O agente autônomo de investimentos (AAI) - mais conhecido como assessor de investimentos - é aquele profissional, sob a responsabilidade e como preposto de instituição integrante do sistema de distribuição de valores mobiliários (corretora e/ou distribuidora), que exerce as funções de: prospecção e captação de clientes; recepção e registro de ordens e transmissão dessas ordens para os sistemas de negociação; e prestação de informações sobre os produtos oferecidos e sobre os serviços prestados pela corretora e/ou distribuidora pela qual tenha sido contratado. É muito importante ressaltar que esse tipo de profissional não pode recomendar investimentos aos seus clientes, função essa exercida por outro tipo de profissional como veremos mais a frente.



  O consultor de valores mobiliários é aquele profissional que presta serviços de orientação, recomendação e aconselhamento sobre investimentos no mercado de valores mobiliários, cuja adoção e implementação sejam exclusivas do cliente. No entanto, o consultor, as instituições integrantes do sistema de distribuição de valores mobiliários e seus clientes em comum podem estabelecer canais de comunicação e ferramentas que permitam executar as orientações e recomendações com maior agilidade e segurança.
  O analista de valores mobiliários é aquele profissional que elabora relatórios de análise destinados à publicação, divulgação ou distribuição a terceiros, que possam auxiliar ou influenciar investidores no processo de tomada de decisão de investimento. O foco de atuação desse profissional é a empresa ou o ativo específico que se está analisando, e não o cliente.
  O administrador de carteira é aquele profissional responsável por fazer a gestão profissional do capital de um investidor. Ele tem liberdade para comprar e vender ativos, formando a carteira de investimentos de quem contratou o serviço.
  O planejador financeiro ou financial planner é aquele profissional responsável por cuidar de recursos pessoais de seus clientes. Ele tem o entendimento necessário para gerenciar valores, bem como sugerir decisões para alcançar os objetivos financeiros. Ele assume um papel de administrador de recursos e de conselheiro financeiro.


  Existem outros tipos de profissionais, mas esses são os principais no meu entendimento. Percebam que alguns têm funções similares, porém cada um tem as suas peculiaridades e as suas normas. Uns são mais valorizados do que outros, porém possuem um nível de exigência (e uma taxa) muito maior nos exames necessários para tirar a habilitação. Todos eles são fiscalizados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), autarquia do sistema financeiro nacional vinculado ao Ministério da Economia.
  Portanto, cada indivíduo que toma a decisão de assumir as rédeas de sua vida financeira, porém continua se dedicando exclusivamente à sua profissão, deve procurar aquele profissional que mais se adequa aos seus objetivos, lembrando que uns tem conflitos de interesse maior do que outros. Dependendo do seu nível de renda e de patrimônio, pode se tornar mais interessante contar com a ajuda de mais de um profissional. Para isso é necessário estudar todas as opções disponíveis. Percebam que esse estudo interdisciplinar envolvendo finanças e investimentos sempre será imprescindível em suas vidas. Conformem-se com isso! 


Abraços,
Seja Independente

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Afinal, carro é para otário?


Olá pessoal,

  Muitos de vocês já devem ter visto no YouTube vídeos de influenciadores digitais com esse mesmo título. Resolvi escrever sobre esse assunto hoje, pois nesses tempos de home office muitos estão questionando a necessidade de ter veículos de passeio. Veremos que não é tão simples assim e o foco da questão não deveria ser a propriedade de um veículo em si, mas sim a necessidade de ter um veículo caro e/ou mais de um veículo.



  Acredito que essa questão de possuir ou não um veículo é ultrapassada. Fora o fato de que muitas pessoas são profissionais autônomos que precisam do carro para atender os seus clientes, existem situações emergenciais em que o carro se torna indispensável, como nos casos de urgência médica. Nesses casos até mesmo os animais de estimação estão incluídos, pois eles se tornaram um membro da família, às vezes até se tornam a única família de uma pessoa. Obviamente que algumas pessoas optam por não adquirir um carro, por diversos motivos. Mas a questão é que não se discute mais essa necessidade, já está batida.
  O foco da questão deve girar em torno da necessidade de ter um carro caro e/ou mais de um veículo. Primeiramente, é importante ressaltar que muitos indivíduos que não investem no mercado financeiro, mas apenas no próprio negócio ou na carreira profissional, amam carros importados caros, às vezes tendo até mais de um. E não há nenhum problema nisso, desde que não se endivide. Se você é um dos que se enquadram nesse perfil, aproveite enquanto pode, pois a vida é curta! Mas nem todos se enquadram nesse perfil. Se você não gosta desse tipo de carro, mas se endivida somente para impressionar o vizinho, não vou dizer que você é um otário como o influenciador digital, mas vou dizer que você está perdendo tempo e dinheiro. E se você é um investidor nesse caso, pior ainda. Cometer tal tipo de erro atrasa muito todo o seu planejamento para alcançar a independência financeira. 
  Se você acha que o que eu estou falando é balela, então proponho a você colocar na ponta do lápis todas as despesas com o seu veículo, desde a compra até a venda. Para começo de conversa, quando você retira o veículo 0 km da concessionária, ele já perde 20% do valor. Quanto maior for o valor do veículo, maior tende a ser a depreciação anual dele. Quanto maior for a potência do veículo, maior é o gasto mensal de combustível. Some a cada ano os impostos e taxas cobrados pelo governo estadual (IPVA, licenciamento e seguro DPVAT). Some a cada ano os custos de manutenção. Some a cada ano eventuais multas de trânsito (sempre tem). Some a cada ano os valores de estacionamento. Some a cada ano o seguro. Some a cada ano eventuais avarias com valor total abaixo da franquia do seguro (sempre tem). Quando você financia o veículo, deve se somar os juros a cada ano. E caso você peça ajuda a alguém para vender, você ainda paga aquela comissão para não ser injusto, não é mesmo? E aí, agora que somou tudo, já tem uma noção?



  O que eu pretendo aqui não é convencer você a se desfazer do seu carro, mas sim avaliar se você realmente precisa ter um carro caro ou ter mais de um carro popular. Se você investe para ter uma renda passiva futuramente, essa avaliação é mais necessária ainda. Compreenda que não há necessidade de você gastar mais em algo que cumpre uma única função que é a de te levar do lugar A ao lugar B. Eu sei que esse termo utilizado “otário” é um termo depreciativo, mas o influenciador digital que o utilizou não teve essa intenção, apenas quis chocar para chamar a atenção das pessoas. Acredito que a tática dele seja válida, pois possui uma finalidade nobre que é de educar financeiramente as pessoas.
  Se você é investidor, mas não se importa de ter um carro caro na garagem, tudo bem. Mas lembre-se dos seus objetivos financeiros a serem alcançados. Não espere por um boom no mercado acionário durante o trajeto para salvar o seu planejamento. Procure compensar os custos com o carro com a diminuição de outros itens supérfluos para manter a média do aporte mensal. Com disciplina já é difícil, e sem disciplina meu amigo, fica mais difícil ainda.  


Abraços,
Seja Independente

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Parem de se preocupar com o que vocês não podem controlar!


Olá pessoal,

  Vocês já notaram o “burburinho” que essa proposta da reforma tributária prevendo a taxação dos dividendos está causando nas redes sociais? Eu, particularmente, evito me preocupar com isso, pois está fora do meu controle. Mas eu nem sempre fui assim. Quando comecei a investir e até pouco tempo atrás, eu me preocupava muito com externalidades que estão fora do meu controle, como eventos políticos e eventos corporativos das empresas nas quais eu invisto. É pura perda de tempo se preocupar com essas coisas!
  Se os investidores estão preocupados com uma possível taxação de dividendos, então procurem investir no exterior através do IVVB11, ou melhor, abrindo uma conta na corretora Avenue (leia esse artigo), já que com essa medida o valuation das empresas nacionais tende a diminuir e o risco de se concentrar 100% aqui tende a aumentar. Mas muito mais importante do que isso, procurem aumentar a renda mensal de vocês, seja pelo aumento da quantidade de fontes de renda, seja pelo aumento salarial concedido pelo seu empregador, seja pela abertura de um negócio próprio, enfim, qualquer coisa que esteja sob o seu controle. Focando no que você pode controlar, você terá muito mais chances de aumentar a sua renda ativa, para que assim você possa poupar mais e aumentar os seus aportes nos investimentos, acelerando o cumprimento das suas metas.
  Compreendam que governo nunca deixará de ser governo. Por mais que eles errem, quem sempre pagará a conta pelos erros deles é você, contribuinte. Até hoje, nós brasileiros, pagamos pelos erros que ocasionaram o descontrole hiperinflacionário das décadas de 80 e 90. Muitos falam no sucesso do Plano Real, mas se esquecem de dizer que esse sucesso só foi alcançado após uma política monetária contracionista obscena, com uma taxa de juros na lua. E o resultado disso é que pagamos uma das cargas tributárias mais altas do mundo sem ter serviços públicos de boa qualidade em troca. E sempre vai ser assim, podem ter certeza. Político nenhum está preocupado com o cidadão, mas sim com as suas contribuições previdenciárias, com o pagamento dos seus credores de campanha eleitoral e com a arrecadação de propina para o seu partido político.
  Enfim, parem de focar em eventos externos que estão fora de alcance e passem a focar nas atividades que estão sob o seu controle e que podem fazer toda a diferença no seu planejamento de longo prazo. Guardem isso com carinho, por favor.    


Abraços,
Seja Independente

terça-feira, 7 de julho de 2020

Não existe a melhor carteira de investimentos!


Olá pessoal,

  Vocês já pararam para pensar na quantidade de profissionais do mercado financeiro que aparecem diariamente nas redes sociais recomendando a carteira de investimentos ideal para enriquecer, como se todos os investidores fossem iguais? São muitas informações difusas, ruídos, propagandas enganosas e “técnicas agressivas” de venda de cursos com que nos deparamos frequentemente. Quem ainda é leigo na área e não sabe como começar, muitas vezes termina sendo enganado. Mas vou explicar aqui neste artigo que investir não é tão complicado assim.
  Já reiterei em vários artigos que o maior inimigo de qualquer investidor é ele mesmo, pois o simples ato de investir aguça no investidor um dos piores sentimentos humanos, a ganância. O simples fato de existir uma possibilidade de enriquecer futuramente interfere totalmente nas decisões a serem tomadas pelo investidor, abrindo janelas de oportunidades para vários profissionais do mercado financeiro ávidos por ganhos rápidos mesmo que para isso seja necessário ludibriar pessoas leigas e ingênuas (e gananciosas, diga-se de passagem). Mas aqui vai uma boa notícia para quem está começando: não há necessidade de passar por isso, pois ninguém enriquece do dia para a noite no mercado financeiro, nem se preocupe! O que de fato existe são carteiras de investimentos ideais para perfis e objetivos diferentes. Se, por exemplo, um investidor tem um perfil conservador e quer investir para complementar a aposentadoria do INSS na velhice, a carteira do tipo “A1” será a ideal para ele. Porém, caso tenha o objetivo de pagar o curso de medicina do filho, a “A1” já não será mais a ideal para ele, mas sim a “A2”. Se um investidor tem um perfil agressivo e quer investir para ter uma renda passiva capaz de lhe garantir conforto e segurança, a carteira do tipo “C1” será a ideal para ele. Porém, caso tenha o objetivo de ter um montante X aos 70 anos, a “C1” deverá ser substituída pela “C2”. E assim sucessivamente.              
  O investidor deve ter em mente que a principal finalidade de uma carteira de investimentos é, primeiramente, conservar o seu poder de compra, e segundo, gerar um excedente de capital, sempre possuindo em seu bojo os 3 elementos fundamentais: segurança, liquidez e rentabilidade. Portanto, caso o investidor iniciante se depare na próxima vez com algum “engravatado” ou “Faria Limer” em algum vídeo no YouTube fazendo propaganda de algum curso ou de algum relatório de investimento, pule a propaganda sem titubear. No mundo dos investimentos, nenhum retorno pode ser garantido. Procure conhecer o seu perfil de investidor, conhecer os seus verdadeiros objetivos, e tomar a decisão de ou delegar os seus investimentos a um profissional ou estudar e investir por conta própria. O resto Deus cuida!      

Abraços,
Seja Independente

domingo, 5 de julho de 2020

Taxa de juros (Selic) baixíssima e dólar altíssimo: como resolver essa equação?


Olá pessoal,

  Neste artigo de hoje eu falarei sobre um dilema econômico cuja solução está longe de ser unânime entre os economistas. Afinal, qual é a melhor política monetária para um país subdesenvolvido como o Brasil nos dias de hoje? Ancorar a taxa de juros em patamares maiores e permitir a cotação do dólar baixar, ou empurrar a taxa de juros para patamares mínimos e afrouxar o aumento agressivo da cotação do dólar, que é a opção adotada atualmente pelo Ministério da Economia? Eu sei, é um pouco mais complexo do que o normal tomar uma decisão como essa quando existe uma infinidade de variáveis que devem ser levadas em consideração. Vamos discutir.



    Para quem não é muito familiarizado com o estudo da Economia, permita-me tecer algumas breves explicações. A taxa de juros básica fixada pelo Banco Central, chamada Taxa Selic, é a taxa que irá balizar todas as taxas de juros das operações financeiras praticadas pelo mercado. Quando o governo decide adotar uma política monetária contracionista para debelar uma inflação descontrolada, ele ancora a taxa de juros em patamares bem elevados, aumentando a taxa real de juros, que é aquela descontada da inflação. Isso atrai investidores estrangeiros que injetam dólares na nossa economia para surfar nessa onda de juros reais altos e, consequentemente, desvalorizam o dólar perante o real, fenômeno ocorrido na década de 90 nos primeiros anos do Plano Real. Já quando o governo decide adotar uma política monetária expansionista para reanimar uma economia deflacionada ou estagflacionada, ele empurra a taxa de juros para patamares mínimos, deixando a taxa real de juros em muitos casos, negativa. Isso desmotiva investidores estrangeiros a aplicar dólares em nossos juros, o que acarreta uma fuga maciça de dólares, valorizando-o perante o real. Esse último tipo de política monetária é o que está sendo adotado pelo nosso Ministro da Economia, Paulo Guedes. E é por isso que estamos vendo um dólar tão alto.  



  E qual a minha posição em relação a isso? Primeiramente, devemos levar em consideração que a economia mundial ainda está sentindo os efeitos da crise do subprime de 2008, onde o FED (Banco Central Americano) injetou trilhões de dólares na economia. Com um risco iminente de estourar uma nova crise econômica na última década, vários investidores ao redor do mundo resgataram os seus dólares investidos em países emergentes e os aplicaram nos EUA, valorizando a moeda norte-americana perante quase todas as moedas do mundo. Além disso, com a eclosão da pandemia da covid-19 no mundo inteiro, essa busca desenfreada por dólares se intensificou, valorizando-o ainda mais. Diante dessa atual conjuntura econômica internacional e da atual estagnação econômica nacional que já dura vários anos (desde a recessão de 15-16), podemos dizer que a política monetária expansionista é a ideal nesse momento, no meu entendimento. Mas isso está longe de ser um consenso entre os economistas e os estudiosos da matéria. Para quem quer se aprofundar mais nesse assunto, recomendo estudar o pensamento dos economistas da Escola Austríaca de Economia, pensamento esse difundido aqui no país pelo Instituto Mises Brasil. Mises é uma referência ao economista austríaco Ludwig Heinrich Edler von Mises, membro dessa escola. No próprio site do instituto existe um artigo onde se discute esse dilema sob o ponto de vista deles, que é bem ortodoxo (ver aqui). Segundo essa escola de pensamento, que é puramente liberal, todo banco central deveria ser independente e talvez nem devesse existir, pois o monopólio governamental de criação da moeda é o responsável pelas crises econômicas e sendo assim deveriam existir várias moedas em todos os países, concorrendo entre si, cada qual procurando ser a melhor para os consumidores. Esse pensamento é o que corrobora a tese das criptomoedas.    

Ludwig Heinrich Edler von Mises



  Muitos também advogam a favor dessa política monetária expansionista pelo fato de que com um dólar mais alto o Banco Central tem condições de diminuir ainda mais a dívida pública, já que o Brasil é um dos países que mais tem reservas internacionais em dólar no mundo. Alguns economistas discordam frontalmente dessa atitude, como é o caso dos seguidores da Escola Austríaca de Economia. Eu, particularmente, não tenho uma opinião formada a respeito, pois eu não sei quais são os custos envolvidos nesse tipo de transação e, sendo assim, não sei se compensa mais rolar a dívida pública ou vender essas reservas. Apenas sei que é muito importante para qualquer país emergente possuir reservas internacionais em dólar e ouro para utilizá-los em casos de extrema escassez de moeda nacional.

Abraços,
Seja Independente

sábado, 4 de julho de 2020

Minha proposta de reforma tributária

Olá pessoal,

  Neste artigo de hoje eu falarei sobre a reforma tributária, que segundo Guedes, está absolutamente pronta (ver aqui). Eu já falei sobre esse assunto, mais especificamente sobre a taxação de dividendos, num artigo do ano passado (ver aqui). Mas hoje eu falarei sobre qual seria a minha proposta de reforma tributária caso estivesse na linha de frente.   Como muitos devem saber e sentir isso na pele diariamente, o sistema tributário brasileiro é um dos mais complexos e injustos do mundo. Existem uma quantidade obscena de tributos previstos no código tributário e outros tributos camuflados de taxas de serviços utilizados, que são cobrados em efeito cascata, configurando diversos casos de bitributação. Para piorar a situação, os tributos indiretos incidentes sobre o consumo são os de maior alíquota e cobrados de forma equânime, do consumidor mais pobre ao consumidor mais rico, ou seja, as alíquotas se tornam regressivas, onerando muito mais o consumidor de menor renda. Se não bastasse tudo isso, o Brasil é o país no mundo onde os contribuintes mais gastam hora/trabalho para cumprir diversas obrigações tributárias acessórias (ver aqui).
  Diante desse quadro eu elaboraria a seguinte proposta: simplificaria todos os impostos incidentes sobre a renda e o patrimônio em um único imposto que incidiria somente sobre a RENDA. Esse imposto de renda incidiria somente sobre as rendas mais altas, a partir de 10 salários mínimos, e de forma progressiva, aplicando uma alíquota inicial de 20% para a faixa entre 10 e 19 salários mínimos, 25% para a faixa entre 20 e 29 salários mínimos, e assim sucessivamente, podendo essa alíquota chegar a 40% para aqueles que têm renda mensal acima de 50 salários mínimos. Para as empresas reduziria a alíquota do IRPJ (que englobaria todos os federais) para o mínimo possível e compensaria com uma alíquota maior sobre os dividendos, podendo utilizar a mesma tabela progressiva do imposto de renda pessoa física. Já em relação aos impostos incidentes sobre o consumo, eu simplificaria todos em um único imposto, chamado IVA (imposto sobre valor agregado), que seria cobrado somente na venda para o consumidor final. Esse imposto teria a menor alíquota possível, sem a concessão de subsídios e isenções. Para aqueles que têm um patrimônio líquido declarado acima de R$500 milhões, eu cobraria um imposto sobre grandes fortunas (IGF), estabelecendo uma alíquota mínima de 0,05% sobre o PL declarado.    
  Devemos reconhecer que qualquer reforma tributária que seja aprovada no Congresso Nacional não irá diminuir a carga, mas apenas simplificar o máximo possível o sistema. Atualmente o Brasil não tem condições de aliviar o peso dos tributos, pois a máquina pública ainda é gigantesca e necessita de recordes sucessivos de arrecadação nos próximos anos para não colapsar. A diminuição da máquina ainda levará muitos anos para ser realizada. Até lá os governos deveriam reformar todo o aparato estatal para proporcionar mais saúde, educação, segurança e infraestrutura para todos os contribuintes brasileiros, para que assim possamos pagar os nossos tributos sem a sensação de estar sendo roubado.


Abraços,
Seja Independente

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Por que investir em ativos internacionais é tão importante para o brasileiro?




Olá pessoal,

  Neste artigo de hoje eu irei falar (mais uma vez) sobre a importância de diversificar geograficamente. Eu sei que já falei sobre isso em vários artigos aqui no blog, são tantos que até peço encarecidamente ao leitor para pesquisar. Mas hoje irei escrever em tom de desabafo. Explico!
  Quando eu comecei a investir por conta própria, eu já percebia a importância desse tipo de diversificação. Mas ainda não compreendia a fundo o quão importante é para nós brasileiros. Achava, ingenuamente, que após tantos escândalos de corrupção, tantos “voos de galinha”, tantas crises econômicas, e tantos outros sofrimentos, o nosso país como sociedade iria amadurecer, voltar a produzir e começar a fincar as bases de sustentação de um desenvolvimento socioeconômico que nos proporcionasse um futuro mais justo e próspero. Ledo engano! Desde o ano passado eu venho captando os “sinais” de esfalecimento moral, intelectual e econômico da nossa sociedade, corroborando aquele velho ditado de que “O Brasil não é para amadores”. Eu consigo captar nas minhas leituras diárias, na minha atividade profissional, nas conversas entre familiares e amigos, nas atitudes alheias, enfim, de várias formas. O meu ceticismo só fez aumentar a cada dia.         
  Como eu achava que as coisas iriam mudar de uma forma mais acelerada do que o de costume no nosso país, eu resolvi alocar uma parte da minha carteira no ETF IVVB11. Mas após as minhas constatações e o agravamento da crise fiscal decorrente da pandemia, eu compreendi que o IVVB11 não será suficiente para uma boa diversificação geográfica, pois os recursos alocados nele são custodiados no Brasil, possui uma taxa de administração mais alta do que os seus pares nos EUA e não distribui dividendos aos cotistas. Além da desvantagem fiscal de recolher 15% de imposto de renda na venda de cotas com ganho de capital, independente do valor. Portanto, eu resolvi abrir uma conta numa corretora norte-americana chamada Avenue Securities, fundada por brasileiros e com capital social aberto na NASDAQ. É uma corretora já instalada há alguns anos na terra do Tio Sam e que a cada dia aumenta a sua captação de clientes brasileiros, inclusive investidores famosos. Investir diretamente nos EUA abre um leque de opções a nível mundial que o investidor brasileiro não consegue ter aqui.

Abertura de capital da Avenue na Nasdaq

  Mas eu não tomei essa decisão apenas para diversificar a parte “internacional” da minha carteira. Vai muito além disso. Primeiramente, ter investimentos lastreados em dólar é quase como um seguro para a carteira, cumprindo a função de hedge cambial. E você também pode formar o seu patrimônio de uma forma menos onerosa, pejotizando os recursos investidos através de uma empresa offshore (para saber mais clique aqui). Esses dois fatores já são mais do que suficientes para encorajar qualquer investidor que esteja insatisfeito com o nosso país a tomar uma decisão como essa. Sem dúvida nenhuma é uma forma de proteção eficaz contra surtos hiperinflacionários e rupturas político-econômicas em nosso país.    
  Mas é importante ressalvar que essa mudança geográfica dos investimentos deve ser feita com cautela e de forma gradativa. Quem tem IVVB11, assim como eu, sugiro manter. Caso dê alguma “zebra” na Avenue e você precise transferir a custódia dos investimentos norte-americanos para outra corretora lá, os recursos investidos no IVVB11 continuarão diversificando geograficamente a sua carteira enquanto a transferência vai sendo processada. Beleza?


Abraços,
Seja Independente