domingo, 30 de setembro de 2018

Livro Investindo em Ações no Longo Prazo, do autor Jeremy J. Siegel




Olá pessoal,

  Conforme prometido, irei falar um pouco sobre o livro Investindo em Ações no Longo Prazo, do autor norte-americano Jeremy J. Siegel. Vou explicar porque ele tem uma abordagem mais otimista do que o livro de Benjamin Graham no tocante ao retorno das ações no longo prazo.
  Apesar de se tratar de um livro escrito totalmente dentro da realidade norte-americana assim como o livro de Benjamin, podem-se tirar algumas conclusões dele no que diz respeito às ações. Ao longo da leitura do livro, consegui destacar alguns trechos que faz o investidor iniciante refletir sobre as vantagens de se investir em ações visando o longo prazo.
   Assim como eu fiz no artigo anterior, vou tentar abordar as lições tiradas do livro sem me alongar muito para que o artigo não fique cansativo. Logo no início do livro, ao tratar do assunto demografia mundial e onda de envelhecimento, o autor lança uma pergunta fundamental: os trabalhadores dos mercados emergentes são capazes de produzir bens suficientes para atender aos aposentados do mundo desenvolvido e esses trabalhadores podem economizar uma renda suficiente para comprar os ativos que os aposentados do mundo desenvolvido precisam vender para financiar sua aposentadoria? O autor responde que neste exato momento não, pois embora 80% da população mundial viva nos países em desenvolvimento, essas economias geram apenas metade da produção mundial. Porém, o autor afirma que essa proporção está mudando rapidamente. Segundo ele, o crescimento do PIB da China e da Índia é particularmente notável e continuará sendo até o final deste século. Ao lançar essa pergunta, o autor mostra que o PIB mundial irá crescer até o final deste século ao invés de diminuir, pois a onda de envelhecimento no mundo inteiro será compensada pelo crescimento populacional e consequente aumento da produtividade nos países emergentes, preenchendo a lacuna. E tudo isso favorece o investimento em ações no longo prazo.
   Em outro trecho mais adiante, o autor mostra o retorno total dos ativos desde 1802 nos EUA em um gráfico (não vou mostrá-lo aqui no artigo), onde o retorno anualizado das ações é de 8,1%, enquanto que o dos títulos públicos é de 5,1%, o das letras é de 4,2%, o do ouro é de 2,1% e o do dólar é de 1,4%, ou seja, o retorno das ações sobrepuja o dos outros ativos com sobras, de “lavada”. Sem levar em consideração que foi analisada apenas a média do mercado acionário (o autor fala em carteira ponderada por capitalização), pois se compararmos apenas com as ações mais rentáveis, essa diferença aumenta ainda mais. O autor ainda destaca que é fundamental compreender que o retorno total das ações retratado no gráfico não representa o crescimento no valor total do mercado acionário dos Estados Unidos. A riqueza em ações aumenta a um ritmo significativamente mais lento do que o retorno total das ações. O retorno total aumenta mais rapidamente do que a riqueza em ações porque os investidores consomem a maior parte dos dividendos pagos pelas ações e, portanto, esses dividendos não são reinvestidos e não podem ser usados pelas empresas para gerar capital. Na minha concepção, esse é o trecho mais importante do livro. Se o leitor compreender esse importante detalhe e encaixar na sua estratégia de investimento, não tenho dúvidas de que conseguirá obter um ótimo resultado no longo prazo.
  Existem vários outros trechos valiosos no livro, mas prefiro que o leitor descubra por si próprio. Citei apenas os que eu considero mais importantes. Aconselho o investidor a adquirir o livro após ter lido o livro O Investidor Inteligente, pois um complementa o outro com abordagens diferentes. Cabe a cada leitor ter uma reflexão crítica de cada livro após a leitura de ambos e tirar as suas próprias conclusões.
  Espero ter contribuído mais uma vez para a comunidade de investidores e desejo uma excelente leitura a todos. Bons estudos e bons investimentos!

Abraços,
Seja Independente

domingo, 16 de setembro de 2018

Livro O Investidor Inteligente, do autor Benjamin Graham





   Olá pessoal,

  Conforme prometido, irei falar um pouco sobre o Livro O Investidor Inteligente, do autor norte-americano Benjamin Graham. Vou explicar aqui o motivo pelo qual o megainvestidor Warren Buffett disse ser esse o melhor livro sobre investimentos que ele já leu.
   Apesar de se tratar de um livro escrito totalmente dentro da realidade norte-americana numa época longínqua que remonta desde o início do século XX (já foram lançadas várias edições ao longo do tempo), podem-se tirar várias lições valiosíssimas dele. Ao longo da leitura do livro, consegui destacar vários trechos tratando de diversos aspectos pertinentes à formatação de uma carteira de investimentos. De uma forma geral, é um livro que procura aconselhar o investidor leigo a ter o máximo de cautela e humildade na formatação da carteira, através de uma alocação adequada em renda fixa e diversificando ao máximo os ativos em renda variável.
   Assim como eu fiz no artigo anterior, vou tentar abordar as lições tiradas do livro sem me alongar muito para que o artigo não fique cansativo. Logo no início do livro, o autor destaca que o objetivo principal do livro será dar conselhos ao leitor sobre áreas de possíveis erros significativos e desenvolver políticas com as quais ele se sinta à vontade. Ele afirma que o principal problema do investidor é ele mesmo, na medida em que esse se expõe a contragosto às emoções e tentações do mercado após comprar ações, sem ter o temperamento necessário para o processo de investimento. Em outro trecho mais adiante, o autor aborda a questão do risco, cujo conceito é com frequência ampliado de forma a ser aplicado a uma eventual queda no preço de um título, muito embora essa queda possa ser de natureza cíclica e passageira e ser improvável que o proprietário seja forçado a vender em tais épocas. Ele afirma que muitas ações envolvem riscos de deterioração, porém um investimento em um conjunto de ações, executado de forma apropriada, não carrega qualquer risco substancial desse tipo e sendo assim não deveria ser tachado de arriscado simplesmente por causa da oscilação de preços. Em outro trecho mais adiante, o autor aborda a questão da política de investimento, onde essa depende em primeiro lugar de escolher o papel defensivo (passivo) ou o empreendedor (ativo). O ativo deve ter um conhecimento suficiente para justificar encarar suas operações de investimento como equivalentes a um negócio empresarial. Não há espaço nessa filosofia para um meio-termo ou uma série de gradações entre o status passivo e ativo. Nesse trecho, que eu considero o mais intrigante do livro, o autor coloca “o leitor contra a parede” e o aconselha a tomar uma posição no tocante à sua política de investimentos, e aconselhando-o a resistir corajosamente à tentação recorrente de aumentar o retorno da carteira ao se desviar por outros caminhos. Em outro trecho já nos últimos capítulos, o autor aborda a questão da diversificação, afirmando que manter seu dinheiro espalhado por muitas ações e setores é o único seguro confiável contra o risco de estar errado e que, além disso, maximiza suas chances de acerto. Nesse trecho, que considero de suma importância, o autor lembra que uma previsão perfeita do futuro não é um dom disponível para a maioria dos investidores e, sendo assim, a diversificação torna o único almoço grátis que o investidor tem à sua disposição. E aqui vale fazer uma ressalva muito importante: quando se fala em diversificação, não se fala apenas em diversificação de ativos, mas de classes de ativos. Tanto na renda variável como na renda fixa, existem as diversas classes de ativos. Na variável, podemos citar além das ações, os fundos imobiliários, cuja volatilidade é bem menor do que as ações e pagam proventos mensais. Sendo assim, eles ajudam a diversificar a carteira de renda variável diluindo o seu risco. Na renda fixa, além dos títulos públicos, existem várias outras classes de ativos, como CDBs, LCIs e debêntures, mas particularmente não aconselho o investidor a diversificar na renda fixa pelo fato dos títulos públicos serem de longe a classe mais segura, pois o único papel da renda fixa é amortecer o risco sistêmico de toda a carteira.
   Existem vários outros trechos valiosos no livro, mas prefiro que o leitor descubra por si próprio. Citei apenas os que eu considero mais importantes. Aconselho o investidor a adquirir o livro após ter lido o livro Pai Rico e Pai Pobre e ter explorado todo o material disponível na internet (ver Meus Favoritos), por se tratar de um livro um pouco mais técnico, apesar de não abordar nenhuma fórmula matemática.
  Espero ter contribuído mais uma vez para a comunidade de investidores e desejo uma excelente leitura a todos. Bons estudos e bons investimentos!

Abraços,
Seja Independente