sábado, 25 de maio de 2019

Não superestime as suas competências!


Olá pessoal,

  Hoje irei escrever quase que uma autocrítica sobre a minha conduta como investidor e que vale como uma dica preciosa para todos os investidores iniciantes como eu. É essencial não apenas reconhecer o seu círculo de competência, mas também não superestimá-lo. Vou explicar com maiores detalhes essa dica. O que quer dizer exatamente círculo de competência? É o nível de competência que você possui para exercer determinadas profissões, funções, atividades, hobbies e afins. É de suma importância que o indivíduo tenha a humildade para reconhecer as limitações de suas competências e agir como tal. Caso contrário, sofrerá as graves consequências de uma má conduta fora do seu círculo de competência.



  No meu caso em particular, o que foi que aconteceu? No início da minha formação de carteira, deixei a empolgação, a ansiedade e a ganância tomarem conta da minha conduta e me expus demais às ações, sem uma diversificação adequada em outras classes de ativos. Após analisar algumas empresas, achei que tivesse a mesma capacidade de análise dos melhores analistas do país e, sendo assim, investi somas relevantes em algumas ações, achando que estava fazendo um ótimo negócio, mas sem enxergar os riscos. Ora, se até mesmo para os melhores analistas ainda é difícil, avalie para os amadores. Já assisti vários vídeos no youtube de educadores financeiros, alguns analistas profissionais, outros não (apenas entendidos no assunto), sobre alguns ativos polêmicos, como é o caso da Cielo, onde cada um tinha a sua opinião a respeito. Uns alegavam que a Cielo tinha perdido os seus fundamentos (a maioria), e outros não. Percebam que até para quem é profissional mesmo e entende do assunto há vários anos é difícil ter um entendimento pacífico, sem ressalvas, sem entrelinhas, sem detalhes, sem vieses.



  É importante lembrar aos colegas que por mais que vários livros tenham sido lidos e recursos financeiros tenham sido recebidos para aportar, o mais importante é estudar e ir começando aos poucos, investindo mais em renda fixa com liquidez (tesouro Selic), em algumas ações no mercado FRACIONÁRIO e em pequenas cotas de fundos imobiliários. À medida que o tempo de estudo for aumentando e a bagagem de conhecimento for crescendo, é hora de aprender a balancear/calibrar a carteira, investindo mais em alguns ativos e menos em outros. Mas ainda assim com muita parcimônia, investindo recursos miúdos. Também aconselho a se preocupar mais em formar uma reserva de emergência nessa fase, principalmente para quem pretende ter filhos, mas ainda não tem.
  Enfim, estou tendo algumas dificuldades agora para calibrar a minha carteira. Nada que seja grave, mas que requer um pouco mais de cuidado. Como eu disse antes, esse artigo serve como uma autocrítica e também como uma dica valiosa para aqueles que estão começando a investir. O mais importante é nunca deixar de aprender, reconhecer os erros e aprender com eles e continuar levando consigo todas as lições aprendidas ao longo do caminho.

Grande abraço a todos,
Seja Independente


quarta-feira, 1 de maio de 2019

Reforma desidratada e a diversificação!

Olá pessoal,

  Hoje irei escrever com base numa matéria publicada hoje no site Infomoney (ver aqui), onde o deputado Paulinho da Força, líder da Força Sindical, afirma o seguinte: “O que estamos discutindo dentro do Centrão é que precisamos fazer uma reforma que não garanta a reeleição de Bolsonaro”. Particularmente eu acho surreal ler uma notícia dessas em pleno Feriado do Trabalhador, que é o que mais sofre com esse atraso da Reforma. É estarrecedor e uma prova incontestável de que historicamente no nosso país, a classe política sempre se preocupou em 1ª lugar com o poder e não com o povo. Quem lê os meus artigos vai entender que essa notícia corrobora tudo o que eu vinha falando em outros artigos sobre o futuro do Brasil, como “Analisar os fundamentos da economia é muito importante!” e “Não sejamos otimistas demais!”.

Deputado Paulinho da Força

  Para quem acompanha a política brasileira, assim como eu, sabe perfeitamente que o grupo partidário chamado “Centrão” tem extrema relevância para a Reforma da Previdência, pois é um grupo que conta com vários partidos, tendo a maior quantidade de parlamentares dentro do Congresso Nacional. Portanto, se esse grupo resolver adotar essa ideia de desidratar a Reforma a fim de inviabilizar uma eventual reeleição de Bolsonaro ou algum outro candidato ligado a ele, eles vão conseguir. E quem vai perder com isso é o povo brasileiro. Porque na verdade o que eles, parlamentares, estarão fazendo, é adiar por mais alguns anos a derrocada da economia brasileira ou como diz o Ministro Paulo Guedes, adiando a queda do avião com todos a bordo, inclusive com as futuras gerações. Essa Reforma já deveria ter sido feita há vários anos atrás, é tanto que os ex-presidentes petistas Lula e Dilma afirmaram durante os seus respectivos mandatos que seria necessária uma Reforma da Previdência. Pois é, logo eles!
  Diante de tal risco iminente batendo à nossa porta, é necessário que os investidores apertem os cintos e já comecem a calibrar as suas carteiras diversificando em vários ativos diferentes, como eu tenho dito nos artigos anteriores. O único tipo de diversificação que eu vejo como o mais difícil para amadurecer na carteira é o geográfico, pois os custos são inacessíveis para a maioria dos investidores, já que a remessa de dólares para o exterior se torna cara dependendo do montante a ser remetido. No meu humilde ponto de vista, a remessa compensa apenas se o investidor tiver pelo menos R$ 100.000,00 disponíveis, sem nenhum comprometimento, como diz o matuto “só escutando a conversa”, para remeter. Sem contar que esse tipo de operação deve ser informado na Declaração de Imposto de Renda e costuma chamar a atenção da Receita Federal. Inclusive a partir desse ano de 2019, as remessas estão sujeitas ao recolhimento de IR, com tributação de 15% a 25% (fonte). Se o contribuinte resolve remeter sem recolher o imposto e declarar, a mordida do leão é ainda maior. Outra alternativa para diversificar geograficamente é investir no ETF IVVB11, que replica o índice norte-americano S&P500. É a alternativa adotada por mim e acredito que pela maioria dos investidores. A única desvantagem é a bitributação, ou seja, os dividendos distribuídos no ETF para investidores não americanos são tributados em 30% nos EUA e os resgates com ganho de capital são tributados em 15% aqui no Brasil. Essa carga tributária pesada já diminui a rentabilidade do ETF. Já a diversificação em classes é mais tranquila, sendo mais acessível para o investidor. Os fundos imobiliários, a meu ver, são a principal alternativa para diversificar a carteira de renda variável, pois são menos arriscados e distribuem rendimentos mensalmente, permitindo ao investidor reinvestir nos fundos de forma mais frequente. Não é de se espantar que o brasileiro, historicamente, sempre investiu em imóveis físicos, pois não são ativos arriscados como as ações e na maioria das vezes se valorizam no longo prazo, sem contar a opção de aluga-los para auferir rendimentos mensais. Portanto, sempre foram um porto seguro para os brasileiros que nunca tiveram familiaridade com a Bolsa de Valores e ao mesmo tempo sabiam que nunca poderiam confiar numa estabilidade político-econômica brasileira. Existe ainda uma outra alternativa de diversificação, mas não para aumentar patrimônio e sim para proteger a carteira, que são os fundos cambiais. São ativos muito voláteis e devem ser usados apenas para se proteger de uma eventual crise nacional gigantesca. Esses fundos são como uma reserva de valor local e por isso não devem compor mais do que 1% do valor total da carteira. No caso da renda fixa, mais precisamente os títulos públicos, não há garantia nenhuma de que eles trarão retorno para o investidor em uma eventual derrocada total da economia brasileira, como a que nós vimos na década de 80 e início de 90. Eles têm como funções diminuir o risco sistêmico da carteira e constituir reserva de emergência. Mas não podem proteger o investidor de uma inflação galopante, ou seja, não podem garantir o poder de compra do investidor nesse caso.
  Portanto, meus nobres colegas, não se empolguem tanto com esse novo governo liberal e conservador. O Executivo não governa sozinho e mesmo que governasse não conseguiria arrumar a casa em apenas quatro anos. Não esperem que haja uma mudança abrupta na economia nacional e a bolsa se valorize exponencialmente em tão pouco tempo. A mudança é lenta e gradual. Enquanto isso, vamos estudando muito e lendo sobre vários assuntos concernentes aos investimentos todo dia, para que possamos obter êxito no final dessa maratona, olhar para trás e dizer: “valeu a pena”.

Grande abraço a todos,
Seja Independente

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Aposentadoria por idade


Olá pessoal,

  Seguindo essa estratégia de analisar tópicos específicos da Reforma da Previdência que impactam a vida dos brasileiros, vou falar sobre outro tópico muito importante que é a aposentadoria por idade.
  Conforme artigo 16 da PEC da Reforma da Previdência, “o segurado filiado ao regime geral de previdência social até a data de publicação desta Emenda, poderá aposentar-se por idade quando preencher, cumulativamente, as seguintes condições: 60 (sessenta) anos de idade, se mulher, e 65 (sessenta e cinco), se homem; e 15 (quinze) anos de contribuição”. Antes de qualquer coisa, é importante esclarecer sobre o aumento da expectativa de vida dos brasileiros. Na década de 60, a nossa expectativa de vida era de 48 anos. Hoje é de 76 anos. Mas não é apenas isso. Essa estatística leva em consideração todas as mortes independentemente da causa do óbito, ou seja, não levam em consideração apenas as causas naturais, mas sim as causas não naturais, como homicídios e acidentes de todos os tipos, que podem acontecer em qualquer momento da vida do indivíduo. Então se atermos apenas as causas naturais, essa expectativa aumenta ainda mais, pois é natural que as pessoas mortas nesse grupo sejam mais velhas. Até mesmo aquelas pessoas acometidas por doenças degenerativas conseguem estender um pouco a sua vida laboral seguindo tratamentos médicos, retardando a concessão de aposentadoria por invalidez. Para termos uma ideia, as mortes causadas por armas de fogo ficaram em 5ª lugar num ranking com as 10 maiores causas de morte no Brasil segundo dados do Ministério da Saúde (fonte).
  Há quem pondere esse aumento da expectativa da vida afirmando que muitas profissões, cujos fatores inerentes a ela não permitem ao trabalhador laborar até certa idade, necessitam de uma atenção especial por parte do legislador, como é o caso dos trabalhadores da construção civil, da indústria mineradora, dos trabalhadores rurais, dos agentes de segurança pública e das forças armadas, e outros constatados como insalubres ou perigosos. Concordo que certas categorias profissionais se enquadram em situações excepcionais e por isso devem ser excluídos dessa exigência prevista no artigo 16 da PEC. A dificuldade para os trabalhadores braçais da construção civil, das indústrias e do meio rural produzirem e auferirem renda é latente. Quando chegam a uma certa idade, os problemas decorrentes do esforço repetitivo começam a aparecer, incapacitando-os para o labor. Sem contar os intervalos de tempo sem contribuição previdenciária decorrentes do desemprego. Enfim, entendo a dramaticidade da situação dessas categorias. Para amenizar esse sofrimento, vejo apenas uma solução: o governo investir em educação de qualidade para que boa parte das futuras gerações não seja obrigada a compor essas categorias. Para o caso dos agentes de segurança pública e das forças armadas, não tem muito o que fazer em relação a questão da idade, pois a idade reduz as condições físicas mínimas exigidas para o exercício da função. Mas faço aqui uma ressalva em relação aos salários de aposentadoria. Diferentemente das outras categorias citadas, esses profissionais tem estabilidade no cargo e recebem salários relativamente maiores. Portanto não devem receber salários integrais maiores do que o teto do regime geral. Se quiserem ter uma aposentadoria mais gorda, que contribuam por fora através de fundos de pensão criados pela própria instituição ou de previdências privadas abertas em instituições financeiras. Ou melhor, que aprendam a investir por conta própria.
  Agora, excetuando-se essas categorias citadas acima, todos devem navegar no mesmo barco, ou seja, todas devem obedecer aos mesmos critérios de contribuição e idade e se submeter ao teto do regime geral. É de suma importância que todas as injustiças decorrentes desse sistema previdenciário perverso do Brasil sejam extirpadas, como se fossem células cancerígenas que se alastraram por todo o organismo ao longo de vários anos. É necessário extirpar esse câncer maligno que só cresce com o passar do tempo, sob pena de voltarmos a experimentar aqueles tempos de inflação galopante, desemprego e miséria que assolou o nosso país na década de 80 e início de 90.

Grande abraço a todos,
Seja Independente


domingo, 28 de abril de 2019

Regime de Capitalização


Olá pessoal,

  Hoje eu irei falar um pouco mais sobre um tópico específico da Reforma da Previdência, assunto que está no topo da lista de pautas que impactam a sociedade brasileira atualmente. Então nada mais oportuno do que falar um pouco mais sobre todos os pontos envolvendo a Reforma da Previdência.
  Assim como eu tratei sobre esse ponto da reforma no artigo publicado em dezembro de 2018 intitulado “Reforma da Previdência não resolve o seu problema”, irei tratar também hoje, mas de uma forma mais aprofundada. Conforme constatado na entrevista do economista chileno citado no artigo, na imprensa e nos debates ocorridos na CCJ da Câmara (para quem acompanha sempre que possível sabe do que estou falando), o regime de capitalização implantado na época da ditadura de Augusto Pinochet não surtiu o efeito desejado, ou seja, os aposentados chilenos, em sua maioria, estavam recebendo pensões abaixo de um salário mínimo. Quando os deputados da oposição argumentaram isso ao criticar o regime de capitalização durante a sessão com o Ministro da Economia Paulo Guedes, o mesmo replicou dizendo que esse regime permitiu um aumento da renda per capita chilena. Enfim, sempre haverá o lado positivo e o lado negativo, pois nada é perfeito. Mas a minha intenção aqui não é discutir essa questão da eficácia do regime, e sim discutir a relevância desse regime para os futuros segurados da Previdência Social.
  Vamos supor que a Reforma da Previdência seja aprovada no Congresso com pouca desidratação, permitindo a implantação futura do regime de capitalização para as futuras gerações. Então ao invés de continuar esse regime atual de repartição, onde os trabalhadores que estão na ativa contribuem para a Previdência para que essa possa pagar os atuais aposentados e pensionistas, seria implantando um regime onde os trabalhadores ativos contribuem para a própria conta de previdência deles, como se fosse uma espécie de poupança. Lá na frente, depois de ter contribuído por décadas para essa conta particular, esse trabalhador aposentado começará a receber o salário de aposentadoria mensalmente resgatado dessa conta particular dele, da mesma forma como funcionam as aposentadorias de previdência privadas ofertadas pelas instituições financeiras. Dito isso, questiono vocês leitores: caso esse regime seja implantado, por que o trabalhador não aprende a formatar uma carteira previdenciária sem a ajuda de terceiros ao invés de delegar a sua poupança “forçada” para o governo que, como todos nós já sabemos, é contumaz em iludir os trabalhadores com falsas promessas de garantir uma velhice sustentável para cada um de nós, seja porque desvia os recursos previdenciários para outras finalidades (o mais comum) ou porque não sabe gerenciar os recursos? Mesmo que o trabalhador seja compelido a contribuir para esse sistema nos primeiros empregos, não é prudente contar apenas com essa poupança para garantir uma aposentadoria digna que possa prover minimamente todas as necessidades básicas. Vide o que aconteceu no Chile. É necessário que se dissemine urgentemente uma cultura de poupança e investimento no nosso país, para que o trabalhador não dependa apenas da Previdência Social. Arrisco a dizer que daqui a algumas décadas em muitos países o sistema de seguridade social terá condições de pagar apenas o valor correspondente a um salário mínimo para cada cidadão, pois a tendência no mundo é que o desemprego aumente em virtude do avanço tecnológico, reduzindo drasticamente a capacidade contributiva de muitos trabalhadores, e também demandando muito do sistema de seguridade através de políticas sociais protetivas para as pessoas desempregadas ou que vivem na informalidade.
  Enfim, é necessário que se compreenda que o risco futuro de um colapso global dos sistemas de seguridade social é iminente. À medida que mais pessoas no mundo vivam mais anos na velhice e sem condições de contribuir, com menos pessoas nascendo para compor a força de trabalho que irá contribuir para o sistema, mais inviável será a sobrevivência dos sistemas de seguridade, forçando centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro a pouparem mais para que possam investir mais e com sabedoria.


Abraços,
Seja Independente

sábado, 23 de março de 2019

Um pouco sobre o caso “Betina”


Olá pessoal,
                                   
  Hoje irei comentar um pouco sobre um vídeo da Empiricus que viralizou na mídia brasileira, onde uma moça jovem, loira, de olhos claros e com um bom papo, chamada Betina, afirma ter iniciado os seus investimentos com um aporte de R$1.520,00 e 3 anos depois alcançou um patrimônio de R$1.042.000,00.



Betina Rudolph da Empiricus


  Pois bem, antes de mais nada gostaria de deixar bem claro que se trata de mais uma jogada de marketing agressiva da empresa Empiricus. Para quem não ainda não conhece, se trata da talvez maior empresa de análise de investimentos do país que sobrevive por meio de assinaturas com diversos clientes pessoa física, cuja atividade é produzir relatórios (as chamadas newsletters) sobre os diversos tipos de investimentos e enviar para os seus clientes. No caso, ela recomenda alguns ativos específicos e expõe todos os argumentos possíveis para tal nesses relatórios. Como a própria Betina explicou em diversas entrevistas nos meios de comunicação após a repercussão fenomenal do vídeo, a Empiricus precisa chamar a atenção das pessoas de alguma forma para que elas possam ter algum interesse em assinar o pacote de serviços dela, pois caso contrário elas continuarão investindo os seus parcos recursos poupados nos bancos, seja na caderneta de poupança ou nos fundos de renda fixa com taxas abusivas, cuja rentabilidade, nós já sabemos, é pífia.






  Acredito que seja do conhecimento da maioria dos investidores que a Empiricus tem problemas com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e com o PROCON (Promotoria de Defesa do Consumidor), em virtude de algumas recomendações de ativos específicos e de seu marketing agressivo. Mas não pretendo entrar no mérito da questão. Apenas quero dizer uma verdade latente que não quer se calar e deve ser dita para todos os brasileiros ouvirem, que é a seguinte: a repercussão inesperada desse vídeo, que eu considero comum, expõe a prova inconteste de que a sociedade brasileira padece de uma falta de educação financeira tremenda. Muitos falam em “ingenuidade”. Mas essa ingenuidade decorre justamente da nossa falta de educação financeira. Ora bolas, como pode uma parcela da nossa sociedade supor que um único aporte de R$1.520,00 investido durante um prazo de 3 anos pode se transformar em R$1.042.000,00? Nem o melhor investidor do mundo de toda a história da humanidade conseguiria tal façanha. Isso é totalmente impossível. Os únicos caminhos possíveis para realizar tal feito seriam: apostar várias vezes na loteria, apostar em diversos jogos no cassino e investir em um negócio totalmente disruptivo, como foi o caso dos fundadores do Facebook e da Amazon, e ainda assim contando com muita sorte em todas essas opções.
  Após a repercussão do vídeo, Betina concedeu várias entrevistas nos meios de comunicação para explicar ao público leigo como conseguiu atingir a marca de 1 milhão de reais de patrimônio. Ela afirmou que começou com um aporte de R$1.520,00, mas na época tinha diversas fontes de renda e, sendo assim, continuou aportando mensalmente e investindo majoritariamente em uma carteira diversificada de ações. Vamos supor que ela tenha conseguido investir em média 4 mil reais por mês ao longo desses anos, além do dinheiro que ela alega ter recebido do pai. Isso daria um montante de 180 mil reais investidos. Ela afirmou que possuía uma carteira de 20 ações. Vamos supor também que ela tenha investido nas ações que mais se valorizaram nos últimos anos seguindo recomendações da Empiricus, como foi o caso de Magazine Luiza, Vulcabras, Rumo, RaiaDrogasil, Unipar, Fibria, Braskem e várias outras. Se a carteira dela tiver performado muito acima do Ibovespa, com uma rentabilidade acumulada de, digamos, sei lá, 500%, isso já transformaria aqueles 180 mil investidos em 900 mil reais. Percebam que é perfeitamente factível atingir tal patamar financeiro através de aportes mensais em ações de forma disciplinada. E ela ainda conta com uma grande vantagem a favor dela, que é a idade. Ela tem apenas 22 anos! Ainda tem muito tempo pela frente para errar, aprender com os erros e aumentar ainda mais o seu patrimônio.
  Mas eu quero lembrar aos colegas investidores que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, tudo que sobe depois desce, assim como tudo que sobe exageradamente também desce da mesma forma, portanto caso a carteira de Betina seja composta por essas ações que performaram bem acima do Ibovespa, provavelmente vai performar abaixo do Ibovespa nos próximos anos e, sendo assim, ela terá que girar a sua carteira aumentando os seus custos e gastando mais tempo analisando outras empresas. Por isso defendo a minha postura conservadora nos investimentos, pois é muito melhor uma carteira que performe a uma taxa razoavelmente boa, sem ser excepcional, ao longo do tempo, do que uma carteira que performe de forma excepcional no curto prazo, mas no longo prazo não consiga manter essa performance. Mas apesar desse importante detalhe, ainda acho que Betina está no caminho certo. Independente da estratégia adotada, ela assim como outros investidores estarão numa situação financeira bem mais confortável no futuro do que a daqueles brasileiros que não se preocupam com a sua própria previdência.





  Na boa pessoal, falando sério, eu acho muito bom quando esse tipo de vídeo repercute na mídia nacional, independente de ter sido de uma forma negativa. Pois de certa forma acusa um problema crônico que atinge a sociedade brasileira de uma forma geral, independente de classe social, que é a falta de educação financeira e o consequente desinteresse em aprender mais sobre investimentos financeiros, que não seja a caderneta de poupança e os imóveis. Para corroborar o que estou falando, basta pesquisar sobre a quantidade de pessoas físicas brasileiras que investem na Bolsa de Valores, são um pouco mais de 1 milhão de pessoas, num país com 200 milhões de habitantes. E, sinceramente, na minha opinião, essa justificativa de que a renda média do brasileiro não o permite acessar esses investimentos em Bolsa é pura besteira, puro vitimismo, puro comodismo. Para vocês terem uma ideia, segundo a própria Betina numa entrevista concedida a um veículo de comunicação, na Colômbia existem 3 milhões de investidores em Bolsa e esse país possui uma população 4 vezes menor do que a do Brasil, ou seja, 6% da população colombiana já investe em Bolsa. E aqui esse percentual é de pouco mais de 0,5%. Na maior economia do mundo, esse percentual é de 70%.
  Eu espero, como brasileiro, que mais repercussões como essa surjam, para que os brasileiros de todas as classes sociais enxerguem o potencial da nossa Bolsa de Valores, que não é aproveitado em toda a sua plenitude.

Abraços,
Seja Independente


sábado, 23 de fevereiro de 2019

Sejamos antifrágeis!


Olá pessoal,

  Hoje irei reforçar mais uma vez a importância de ser conservador na formatação da carteira, ou como diz o título do artigo, “antifrágil”. Peguei esse termo emprestado do livro “A Lógica do Cisne Negro” de Nassim Taleb, que já havia citado anteriormente num dos artigos mais recentes do blog. Alguns podem até me achar repetitivo ou até mesmo chato, mas dada a importância do tema no meu ponto de vista e pelo fato de ser uma época oportuna para tal, eu optei por reforçar essa ideia de conservador/antifrágil através de diversos artigos.
  Quando muitos ouvem falar em antifragilidade, já associam a estratégia Barbell (estratégia do supino), que consiste em montar uma carteira composta por 90% de títulos públicos e 10% de opções de ações. Particularmente, não curto muito investir em opções, por diversos motivos. No Brasil, são pouquíssimas as empresas que ofertam essas opções, geralmente as mais líquidas, caso de Petrobrás, Eletrobrás, Vale e os grandes bancos. Outro motivo é o fato de serem focadas no curto prazo, então o investidor termina gastando mais no curto prazo com estas opções. Além disso, para que o investidor tenha sucesso, precisa ter um certo conhecimento em análise gráfica e em economia, especificamente nos setores das empresas que ofertam essas opções, o que é para poucos. Então, no final das contas, o custo-benefício tende a ser baixo, mas apenas para quem não tem o conhecimento necessário, que é o caso da grande maioria. Na Bolsa de Valores americana, Wall Street, que é disparada a maior do mundo, isso já é mais factível, dada a oferta de opções e a quantidade de investidores que possuem esse conhecimento. Mas obviamente que já existem no Brasil vários investidores que adotam essa estratégia com sucesso e não tenho nada contra isso, apenas acho que é mais prático para o investidor amador assim como eu investir focado no longo prazo analisando os fundamentos das empresas.
  Então, baseando-se nesse ponto de vista, vou apresentar alguns pontos relevantes para a formatação de uma carteira: 1°) Contar com uma boa reserva de emergência, que possa proteger a carteira previdenciária do investidor dos grandes imprevistos que acometem não apenas a vida do investidor, mas também o desempenho da própria carteira. Muitos investidores subestimam a importância dessa reserva, pois se apressam demais em atingir a independência financeira e acabam focando demais na carteira e se esquecem da proteção dela. Na medida em que o investidor aumentar o seu padrão de vida, ele deve aumentar o aporte na reserva de emergência, e não apenas na carteira; 2°) Diversificar a renda variável em classes de ativos, o que significa dizer que o investidor não deve apenas diversificar o seu portfólio de ações, mas também a sua renda variável como um todo. Por isso é importante investir também em fundos imobiliários, para diminuir a assimetria, o risco, a volatilidade ou o beta da sua carteira. Se o investidor tiver recursos suficientes para tal, também pode investir em imóveis físicos, como salas comerciais, por exemplo, mas com muito estudo e planejamento prévio. Também pode investir em um fundo multimercado focado em moedas, ou seja, que aufira rentabilidade comprando e vendendo moedas de vários países, como dólar, euro, iene, libra, rublo, franco suíço, real e outros; 3°) Diversificar a renda variável geograficamente, o que significa dizer que o investidor não deve investir apenas localmente, no país em que reside, mas no exterior também. Obviamente que investir fora pode se tornar muito oneroso ou até mesmo inviável, mas hoje já existem possibilidades viáveis de se investir fora sem a necessidade de remeter dinheiro para o exterior, como por exemplo, o índice S&P 500 que é ofertado na Bovespa com o código IVVB11. Esse índice é administrado pela BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, com sede em Nova York. Também é possível investir em fundos multimercados que investem no mercado internacional como um todo, através de algumas corretoras, como a XP Investimentos, por exemplo. A importância dessa estratégia reside na necessidade de proteção cambial e sistêmica, pois nunca sabemos o que pode acontecer politicamente com um país; 4°) Investir em renda fixa focando exclusivamente na segurança,  o que significa dizer que aqui desaparece o benefício da diversificação, já que o foco não é mais a rentabilidade, mas sim a segurança. A única função da renda fixa é amortecer o risco sistêmico da carteira. Portanto, não há necessidade de diversificar em outros ativos de renda fixa, como CDB de bancos menores ou debêntures incentivadas prometendo rentabilidades de 120% do CDI ou IPCA + 9%, com risco de dar calote. É melhor investir apenas nos títulos públicos, já que são os ativos mais seguros que existem em qualquer país, pois o risco do governo dar um calote é baixíssimo ou quase inexistente.
  Muitos economistas mundo afora já alertam para o risco de eclodir mais uma crise mundial, tal como a de 2008. Apenas não sabemos com exatidão em que data eclodirá nem tampouco a gravidade dela. A única coisa que está ao alcance do investidor é fazer a tarefa de casa, o tradicional feijão com arroz, o simples mas eficaz, enfim, o que funciona, que são essas estratégias que eu adoto para a minha carteira. Não há necessidade, no meu entendimento, de adotar a estratégia Barbell. Basta montar uma reserva de emergência com uma margem de segurança para mais e nunca para menos, diversificar a sua carteira variável em classes e geograficamente e ser ultraconservador na sua renda fixa. A proporção entre a renda variável e a renda fixa fica a critério do investidor, ninguém mais além dele pode determinar. Na boa, vocês acham mesmo que os grandes investidores, como Warren Buffet, Charlie Munger, George Soros, Luiz Barsi, Lírio Parisoto e tantos outros, aqui no Brasil e lá fora, chegaram até o topo sem adotar essas estratégias? Sem contar com uma boa reserva de emergência para cobrir os imprevistos? Sem diversificar as suas carteiras em classes e geograficamente? De jeito nenhum!
  Enfim, muitos podem até discordar de mim, mas acredito muito nessas estratégias. São elas que permitem o investidor sobreviver e continuar estudando e aprimorando os seus investimentos, e deixando os juros compostos fazer o seu trabalho “milagroso”. Não podemos prever o futuro, mas podemos nos precaver. Isso está perfeitamente ao nosso alcance. E talvez não tenha dito o mais importante aqui: não dê ouvidos aos pessimistas, invejosos e aos falsos gurus!

Grande abraço a todos,
Seja Independente




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Não sejamos otimistas demais!


Olá pessoal,

  Hoje eu li uma matéria no Infomoney sobre uma palestra proferida pelo ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BC e atual secretário de Fazenda de SP, Henrique Meirelles, no qual ele diz que a reforma da previdência é o “mínimo necessário”, mas não será capaz de resolver todos os problemas do país. Eu concordo com ele. Quem lê meus artigos irá se lembrar do artigo “Analisar os fundamentos da economia é muito importante”, no qual eu digo que ainda continuamos com fundamentos ruins. Pois bem, esse artigo de hoje continua com a mesma linha de raciocínio, mas pegando um gancho com essa matéria.
  Na palestra, o ex-ministro disse que daqui a dois ou três anos, o crescimento do país só será mantido caso o ambiente dos negócios seja mais saudável (ver matéria aqui). Em linhas gerais, isso é explicado por mim com outras palavras nesse outro artigo citado. Para que ocorra uma melhora no ambiente de negócios, são necessárias várias reformas, inclusive outra reforma trabalhista que seja mais justa para ambas as partes. Também é necessária, para mim a mais importante, uma reforma no ensino público de forma abrangente e perene, para tirarmos esse gigantesco e lamentável atraso na educação. As reformas previdenciária e tributária, por si só, não resolvem todos os nossos problemas, pois elas resolvem apenas o déficit fiscal do governo, mas não a anemia do nosso setor produtivo. Sem contar a probabilidade de desidratação dessas reformas no Congresso Nacional, o que diminuiria muito a eficácia delas. E não vou nem falar da reforma política, pois eu sei que essa é quase utópica. Percebam meus caros colegas, o tamanho dos nossos desafios. Vão levar tempo para saírem do papel e mais tempo para começarem a surtir efeito. Estamos falando aqui em décadas, não em meses ou anos. Não vai ser em um mandato presidencial de quatro anos que as coisas irão se resolver. Não existe salvador da pátria. O que existe, de fato, são pessoas e cultura. E esses dois itens requerem muito tempo para evoluir.
  Muitos que estão lendo esse artigo agora podem estar me achando pessimista. Sim, eu sei disso. Mas eu prefiro me considerar um “realista com os pés no chão”, um eufemismo para pessimista. É por isso que sou cético em relação à maioria dos nossos ativos no longo prazo. Apenas os setores mais resilientes resistem. Os setores de consumo cíclico tendem a sofrer no longo prazo mesmo, não tem jeito. Sendo assim, não me resta outra alternativa a não ser conservador dentro da minha carteira “agressiva”. O dinheiro sempre flui de volta para o setor financeiro, pois é dele que provêm todos os recursos que mantem a economia, inclusive do governo. Ou por acaso vocês acham que os bancos tiveram os maiores lucros da bolsa nos últimos anos, em plena recessão, porque são mais bem administrados do que as outras? Não é à toa! Quanto aos setores elétrico, hospitalar e educacional, esses possuem uma demanda inelástica, principalmente o elétrico, e sendo assim, tendem a suportar mais os efeitos de uma recessão.
  Portanto, meus caros colegas, na minha humilde opinião, sejam céticos em relação a dicas quentes, não importa da onde venha, nem que seja da melhor casa de análise ou melhor corretora do mundo. O mercado sobrevive exatamente disso, das dicas quentes, pois é isso que paga as contas dele. Quanto mais você seguir as dicas, mais você vai girar a sua carteira, consequentemente, mais você vai pagar assinatura ou corretagem, e mais você vai se ferrar. O que eu aconselho, sem querer ser o dono da verdade, é estudar muito e formatar a sua carteira por conta própria, errando pouco e acertando muito. Só assim você sobrevive. A palavra de ordem para quem está começando, assim como eu, é sobrevivência. Se você quebrar no início, fica muito mais difícil!

Abraços,
Seja Independente