domingo, 15 de setembro de 2019

O Brasil não voltará a crescer como antes!


Olá pessoal,
                                                                                                                                                        
  Hoje irei escrever um pouco de macroeconomia, mais especificamente sobre o crescimento do PIB (produto interno bruto) brasileiro nos próximos anos. Esse artigo é uma continuação da série de artigos sobre macroeconomia brasileira que já escrevi aqui no blog, e o último foi “Não sejamos otimistas demais!”, publicado em fevereiro. Mas dessa vez vou focar exclusivamente nos aspectos econômicos, sem me ater aos investimentos, pois deixei bem claro a minha posição nesses outros artigos.
  Pois bem, como muitos investidores devem saber, a média de crescimento do PIB brasileiro nas últimas três décadas, ou seja, nos últimos governos após a redemocratização, foi de 2,5% (dois e meio por cento) ao ano (ver gráfico). A maior parte dessa média, entre 1,5 e 2%, foi devido ao bônus demográfico que contribuiu para o aumento da força de trabalho, em todos os setores da economia. O restante da média se deveu de fato a eficiência na produtividade. Porém, esse bônus demográfico não existe mais, pois a tendência no Brasil é de famílias terem menos filhos, diminuindo a taxa de natalidade, o que, por conseguinte, diminui o crescimento da força de trabalho no longo prazo. Mas o problema não é apenas esse. Como muitos investidores bem informados devem saber, uma boa parte da força de trabalho brasileira é composta por jovens e adultos com péssimo nível educacional, onde muitos têm dificuldade de interpretar textos e calcular as quatro operações básicas (são analfabetos funcionais) e tampouco sabem falar e escrever um segundo idioma como também possuir noções básicas de informática. Isso é um grande entrave para o crescimento da produtividade. Além disso, também sabemos que o Estado brasileiro sempre foi o principal indutor do nosso crescimento econômico, através de investimentos em infraestrutura e em serviços públicos, como saúde e educação. Quando explode uma crise como essa última agora, faltam recursos para esses investimentos, impactando fortemente no crescimento do PIB.




  Portanto, é de se esperar que no curto e médio prazo o PIB brasileiro não voltará a crescer no mesmo patamar de antes. Isso é fato! Para voltar a crescer serão necessárias algumas medidas enérgicas que consigam sobrepujar a lacuna aberta deixada pela perda do bônus demográfico. A primeira delas é fortalecer a iniciativa privada e diminuir o tamanho do Estado brasileiro, pois este depende do anterior para sobreviver. Sem arrecadação de impostos, o Estado perde a capacidade de investir em infraestrutura e em serviços públicos básicos. A segunda medida é investir em educação básica de forma eficiente para que as futuras gerações possam ter condições de se qualificar para o mercado de trabalho. Mas essa medida requer muito tempo para gerar frutos. Até lá a terceira medida ajudará no crescimento do PIB, que é uma maior abertura comercial e uma maior importação de capital financeiro, físico e humano, mais especificamente direcionado para o nosso principal setor econômico, o agronegócio. A economia doméstica brasileira, isoladamente, não tem potência suficiente para destravar o crescimento do nosso PIB nas próximas décadas.
  Enfim, acredito que temos potencial para voltar a crescer como antes, mas implementando as medidas elencadas acima. Sendo implementadas, nosso PIB tem potencial para crescer até mais do que a média das últimas décadas. Não acredito que a nossa economia ficará estagnada, como aconteceu com o Japão, por exemplo. Até porque o Brasil possui vantagens que outros países não têm, como potencial agrícola gigantesco, população economicamente ativa grande (por enquanto) e boas relações diplomáticas com o restante do mundo. Por isso eu digo: o Brasil não voltará a crescer como antes, pois vai crescer mais!
 
Abraços,
Seja Independente

sábado, 17 de agosto de 2019

Diversificação e descorrelação de ativos!


Olá pessoal,
                                                                                                                                                        
  Hoje irei escrever novamente uma autocrítica sobre a minha conduta como investidor, assim como fiz no artigo “Não superestime as suas competências!”, publicado em maio deste ano. Mas desta vez a autocrítica se relaciona a erros menos graves. Trata-se da diversificação com a melhor alocação possível de ativos descorrelacionados. Vou explicar do que se trata essa descorrelação. Existem dois tipos de risco em qualquer carteira de investimentos: o risco sistemático e o risco não sistemático ou específico. O primeiro se refere aquele risco que impacta toda a sua carteira indistintamente, como por exemplo, uma crise financeira mundial, as eleições de um presidente que não agrada os mercados, etc. Já o segundo se refere a um risco que impacta especificamente uma empresa ou um subsetor da economia, como por exemplo, uma empresa envolvida em caso de corrupção ou a regulação de um subsetor que interfere diretamente em seus preços praticados no mercado.




  No meu caso em particular, o que foi que aconteceu? No início da minha formação de carteira, procurei dar preferência somente a ações de empresas de um mesmo subsetor dentro daqueles setores resilientes ou como costumam falar, “blindados” contra crises econômicas, ou anticíclicos, como são o caso dos setores financeiro, elétrico, saúde e educação. Para ser mais específico, eu tinha em minha carteira dois bancos, duas seguradoras, duas geradoras de energia elétrica, duas administradoras de plano de saúde e duas educacionais. É como se eu tivesse investindo nas concorrentes do mesmo subsetor para ver no que dava, sem ter ideia do risco que estava correndo. Uma regulação forte em qualquer subsetor pode impactar profundamente os fundamentos econômicos das empresas inseridas nele. Vimos o caso do setor elétrico, quando a ex-presidente Dilma Roussef interferiu diretamente nos preços das concessionárias de energia elétrica, apesar de ter sido uma regulação temporária. Também estamos vendo uma mudança mercadológica no setor bancário, onde os grandes bancos estão sendo ameaçados pelas corretoras de valores mobiliários, como é o caso da XP Investimentos, que por sinal já foi adquirida pelo Banco Itaú (sinal de alerta ligado), como também estão sendo ameaçados pelos bancos digitais, como são os casos dos bancos Nubank, Inter, Neon, Original, C6 Bank e vários outros que surgem como batata brotando da terra. Querem ver outro caso? O setor educacional, que até eclodir a maior crise econômica da história do Brasil, recebia o incentivo do FIES, programa de financiamento estudantil para estudantes de baixa renda, impactando positivamente o faturamento das empresas educacionais. Com o corte do FIES após a crise, essas empresas perderam muito faturamento e estão tendo que se reinventar para crescer.
  Enfim, ainda surgirão muitos exemplos de riscos para os setores da economia, no Brasil e no exterior, ainda mais nesse início do século 21 onde mudanças disruptivas surgem diariamente. Daí a importância de se diversificar com sabedoria, investindo em ativos descorrelacionados. Como eu tinha dito no final do artigo publicado em maio, esse artigo serve como uma dica valiosa para aqueles que estão começando a investir. E o mais importante é nunca deixar de aprender, reconhecer os erros e fazer as devidas correções ao longo do caminho. Não desanime com os erros, por mais prejuízo que você tenha com eles, porque são eles que irão catapultar o seu sucesso, se você extrair as devidas lições decorrentes de cada um deles. A estrada é tortuosa e dolorosa, mas a recompensa sempre chega para quem acredita!
 
Abraços,
Seja Independente


sexta-feira, 19 de julho de 2019

Brasil e o seu “capitalismo de araque”


Olá pessoal,


  Hoje irei falar sobre uma matéria no Infomoney a respeito de um podcast onde um dos gestores de fundos de investimento mais renomados do país, Henrique Bredda, do fundo Alaska Black, explica que uma injeção de capitalismo pode prejudicar o Ibovespa (ver matéria aqui).  


Gestor Henrique Bredda


  Ele diz o seguinte: O Brasil tem um capitalismo de araque, a gente não tem concorrência em nada. São duas ou três empresas em cada setor. Na Bolsa, que geralmente concentra as líderes setoriais, essas empresas vivem uma situação de oligopólio – com acesso a crédito, capacidade de crescer e margens largas – enquanto as outras sofrem. Esse cenário é um espetáculo para a Bolsa. Primeiramente destaco aqui o termo cunhado pelo gestor, “capitalismo de araque”. Nunca vi um adjetivo tão bem colocado para o nosso capitalismo. Admito que gostei bastante. Mas seguindo em frente, o gestor explica que uma injeção de capitalismo pode estimular novas empresas, nacionais e estrangeiras, a entrarem em setores atualmente dominados por algumas poucas e desbancar essas líderes futuramente. Ele dá o exemplo do setor de maquininhas, onde a líder Cielo teve suas margens corroídas após a entrada de novos competidores. Na verdade, já estamos vendo o surgimento de vários entrantes no mercado financeiro em geral, principalmente o bancário. Mas vale lembrar que alguns deles ainda não abriram capital na Bolsa, ainda não tem histórico de resultados, ainda não caíram no gosto das grandes massas e provavelmente sejam incorporados pelos gigantes do setor futuramente. Na realidade, os gigantes contam com uma vantagem perante esses novos entrantes: a falta de educação financeira das massas. O educador financeiro Leandro Ávila do Clube dos Poupadores explica isso muito bem neste artigo aqui. E esse fenômeno que está ocorrendo no setor financeiro também pode acontecer em outros setores. Principalmente os setores mais sensíveis às mudanças tecnológicas. Mas mesmo que essa “destruição de valor” ocorra, ela não acontece do dia para a noite, ela acontece de uma forma lenta e gradual.
  O investidor precisa entender que ninguém possui uma bola de cristal para prever o futuro, mas não é por isso que ele deve deixar de investir na empresa ou no setor A, B ou C. Se o investidor perceber através dos indicadores que a empresa está perdendo os seus fundamentos, basta tomar a decisão de vender as ações pelo preço que o “senhor mercado” aceitar e comprar as ações de outra empresa. Portanto, não há motivo para preocupação. Continue estudando e tendo paciência. O importante é nunca parar!

Abraços,
Seja Independente

domingo, 14 de julho de 2019

Alguns insights sobre o Brasil


Olá pessoal,

  Hoje irei falar sobre alguns insights sobre o Brasil que me vieram à mente baseando-se em alguns fatos que vieram à tona nessa semana. Trata-se de uma triste constatação em relação ao nosso país e que corrobora a minha tese descrita nos artigos anteriores de que os nossos fundamentos econômicos ainda são ruins.
  Como todos devem saber, a reforma da previdência foi aprovada em 1ª turno na câmara dos deputados. Devemos comemorar, sim, mas ainda com ressalvas. Logo após a aprovação do texto-base, iniciou-se a votação dos destaques que desidratam a reforma, como foi o caso de algumas categorias, como policiais e professores. Admito que se tratam de correções no texto que visam eliminar uma certa dose de injustiça com essas categorias que são tão honradas, mas que impactam a previdência dos demais, pois esses terão que custear essas correções. Além disso, estados e municípios ficaram de fora, pelo menos até o presente momento. A base governista ainda tem esperança de inseri-los através de uma PEC quando a reforma chegar ao senado, mas será muito difícil, pois alguns governadores são contra a reforma (dos partidos de oposição). Seria desastroso, para falar o mínimo, se os estados e municípios ficassem de fora da reforma. Muitos deles já não conseguem pagar em dia as suas folhas de pessoal.
  Mas o que mais me chamou atenção nessa semana foram dois fatos: o primeiro se trata da indicação pelo presidente da república do seu próprio filho, deputado federal Eduardo Bolsonaro, para o cargo de embaixador do Brasil nos EUA. Um fato inédito, sem precedentes, na nossa história. Trata-se de um caso flagrante de nepotismo. Para aqueles que acreditaram que Jair Bolsonaro iria extinguir a velha política no seu governo, eis a verdade vos sendo revelada. O segundo se trata de uma revelação estarrecedora do humorista do Casseta e Planeta Marcelo Madureira em um vídeo no youtube. Ele afirmou que o cartório cobrou, pasmem, pela renovação do atestado de óbito do seu falecido pai. Onde está o bom senso em cobrar por uma coisa dessas, se a pessoa morre apenas uma vez? Realmente é um descalabro. Percebam meus caros colegas, que o nosso país ainda permite práticas dignas do coronelismo do século 19, ou seja, ainda temos idiossincrasias, bizarrices e aberrações que existiam apenas em países atrasados nos séculos passados. Por isso que ainda somos um país atrasado, um país que não é para amadores, como muitos dizem. Percebam que o problema é de dentro para fora, o problema está em nós mesmos, o maior problema do Brasil é o brasileiro, pois é uma questão cultural, onde princípios, conceitos e valores éticos e morais errados são transmitidos através de gerações. Percebam que todos esses nossos vícios se refletem em leis erradas, todas, inclusive a constituição cidadã. E isso termina desaguando em corrupção, violência, pobreza, ignorância e outras mazelas sociais.
  Falta claramente um senso de coletivo, de patriotismo, na nossa sociedade. Acho engraçado o brasileiro achar que patriotismo é colocar a mão no lado esquerdo do peito, estufar os pulmões e cantar o hino nacional em jogo de copa do mundo, quando na verdade é muito mais do que isso. E muitas vezes fico me perguntando por que existe essa cultura no nosso país. Acredito que existem vários fatores sociais e geográficos. O Brasil herdou o intervencionismo estatal de Portugal e assim já começou errado. Some-se a isso uma diversidade cultural e religiosa de vários povos diferentes, como índios, africanos e europeus. Some ainda o fato de termos uma população e uma extensão territorial muito grande. É como se houvesse um vácuo de identidade nacional, de coesão social, de patriotismo, onde cada brasileiro não pensa no bem-estar da sociedade brasileira em geral, mas apenas em seu próprio umbigo. É como diz o matuto: “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Muitos culpam os políticos pelos nossos problemas. Mas ora bolas, os nossos políticos são uma amostra da nossa sociedade. Muitos podem me achar pessimista, eu sei. Mas o que eu quero dizer aos apressados é que avanços, como pessoas nas ruas cobrando os políticos, operação lava-jato e reformas fiscais ainda são um microcosmo de uma tentativa embrionária de uma parcela da sociedade de mudar o país para melhor. Ainda estamos vivenciando diariamente vícios de um Brasil ainda velho, corrupto e violento para os seus compatriotas. Vai demorar muito ainda para respirarmos um ar livre de todas essas impurezas que apenas encontramos em países desenvolvidos.
  Mudando o foco para o universo dos investimentos, todos esses fatos ainda corroboram a minha tese conservadora. Para ser mais específico, quem é buy and hold e está focado em formar patrimônio, evite casos de turn around, small caps com pouco tempo de bolsa e empresas cíclicas (com algumas exceções). Não quero convencer ninguém a adotar a mesma estratégia adotada por mim, mas apenas alertá-los. Como já foi dito, o Brasil não é para amadores. Se o investidor acha que agora o Brasil vai crescer ininterruptamente por várias décadas e casos de pedido de falência e recuperação judicial vão diminuir e, sendo assim, não há motivo para pessimismo, reflita um pouco mais. Os nossos fundamentos macroeconômicos ainda são ruins e continuarão num patamar ruim, com uma melhora lenta e gradual ao longo de vários anos. Mas se o investidor que é agressivo discorda de mim, vai em frente. Apenas lembre-se que deverá estudar muito e contar com um pouco de sorte.
  Lembre-se que os fatores tempo e aporte são os mais importantes, como dizem os educadores financeiros. Apenas investir não vai te enriquecer da noite para o dia. Eu já me convenci disso. E você, já se convenceu?

Abraços,
Seja Independente


sábado, 29 de junho de 2019

Livro O Poder do Subconsciente, do autor Dr. Joseph Murphy




Olá pessoal,

  Hoje irei falar sobre esse livro muito interessante, chamado O Poder do Subconsciente, do autor Joseph Murphy, considerado um dos livros mais populares de auto-ajuda já escritos. Mas aí você pode se perguntar o que tem a ver um livro de auto-ajuda com os meus investimentos, e eu te respondo: muita coisa a ver. Vou explicar trazendo aqui alguns trechos do livro.
  No capítulo 3 “O poder milagroso de seu subconsciente”, ele afirma o seguinte: Em toda natureza você vai encontrar a lei da ação e reação, de repouso e movimento. As duas têm que se contrabalançar, e, quando isso ocorre, há harmonia e equilíbrio. Você está aqui para deixar que o princípio da vida flua rítmica e harmoniosamente em sua pessoa. O que entra e o que sai devem ser iguais. Gravação e impressão devem ser idênticas. Toda sua frustração tem por origem desejos insatisfeitos. O que ele quer dizer? Se você, investidor, ainda possui crenças, valores e conceitos em relação a dinheiro e prosperidade que te condicionam a permanecer na pobreza ou endividado, de nada vai adiantar formatar uma carteira de investimentos. Nem comece. Se você ainda pensa que todo rico é ganancioso, que dinheiro é a raiz de todo o mal, que “avareza” (termo pejorativo para frugalidade) é pecado e que o normal é gastar mais do que o que ganha e não o contrário, sinto muito lhe dizer, mas você nunca será rico, próspero ou independente financeiramente. Se você investe para ter um “complemento” na sua aposentadoria para te ajudar a pagar as contas, mas ainda possui essas crenças limitantes, você não conseguirá atingir nem esse objetivo, porque com o tempo você não dará a devida importância e perderá o foco e a disciplina. E por quê? Porque vontade é tudo. O segredo do sucesso está dentro de você, na sua mente, e não fora. Portanto, não vá nessa onda da igreja apostólica romana que prega “é mais fácil um camelo passar por uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. O dinheiro não é a raiz de todas as mazelas, mas sim as atitudes dos “ricos” mesquinhos e gananciosos. Você pode fazer coisas maravilhosas com o dinheiro e até se tornar uma pessoa melhor do que era antes. Você pode até desejar apenas se tornar independente financeiramente, ou até mesmo não investir por não gostar, mas ganhar dinheiro somente trabalhando. Ainda assim, se tiver as crenças limitantes, continuará “escravo” do dinheiro.
  No capítulo 9 “Como usar o poder de seu subconsciente para adquirir riqueza”, ele fala sobre a inveja: É devastador abrigar pensamentos de inveja, porque o fato coloca-o em uma posição negativa. E por isso mesmo a riqueza corre para longe e não para perto de você. Se você fica aborrecido ou irritado com a prosperidade ou a riqueza de outra pessoa, diga imediatamente que lhe deseja a maior riqueza possível. Dessa maneira, você neutralizará os pensamentos negativos e fará com que a riqueza flua em sua direção, de acordo com a lei do subconsciente. Esse trecho, em minha opinião, é o que explica o principal obstáculo para o investidor, a lacuna comportamental, que é a necessidade de comparar a sua grama com a grama do vizinho. A grama do vizinho sempre é mais verde, não é verdade? Essa necessidade é o que faz o investidor ter pressa para alcançar o seu objetivo, aumentando demasiadamente o risco da carteira ou assumindo uma posição ativa que não é sua, pois não foi talhado para tal. E também é o que faz qualquer pessoa desaforar o dinheiro, numa busca incessante em mostrar ao vizinho que é mais rico, mesmo que para isso tenha que se endividar. Não existe ditado mais certo do que esse, “dinheiro não leva desaforo para casa”. E a maioria das pessoas somente percebe isso a duras penas, infelizmente.   
  Também merecem uma menção honrosa os capítulos 10 “Seu direito de ser rico” e 11 “A mente subconsciente como sócia em seu sucesso”. Neles você encontrará vários trechos que corroboram os trechos anteriormente citados, talvez sendo os capítulos mais importantes para o investidor. Já no capítulo 12 “Como cientistas usam a mente subconsciente”, o autor afirma: Ao buscar orientação, você simplesmente pensa na ação correta. Isso significa que usa a inteligência infinita existente na mente subconsciente a um ponto em que ela começa a agir por seu intermédio. Desse instante em diante, seu curso de ação é dirigido e controlado pela sabedoria interior residente em você, que tudo sabe e é onipotente. Suas decisões serão corretas. Só poderá haver ação correta porque você está sob uma compulsão subjetiva para fazer a coisa certa. Uso a palavra compulsão porque a lei do subconsciente é compulsória. Apesar de nesse capítulo o autor do livro focar no uso da mente subconsciente pelos cientistas, esse trecho vale também para os investidores, no momento em que ele fala de compulsão, não no sentido mais pejorativo do termo, quando nos referimos à compulsão por comida, drogas, compras, mas sim no sentido de ter uma paixão por algo construtivo, como pesquisar e investir. Quanto mais o investidor for apaixonado pelo universo dos investimentos, mais sucesso ele obterá. Se o investidor puder ler, ouvir ou assistir qualquer assunto relacionado a investimento todo santo dia, durante vários minutos espaçados ao longo do dia, mais preparado e bem talhado ele ficará para ter sucesso nessa empreitada.
  Mas a mensagem mais importante transmitida pelo livro é nunca perder a fé naquilo em que você acredita. Investir, como qualquer outra coisa na vida, também é um ato de fé. Aliás, dizem os sábios que viver já é um ato de coragem. Então faça valer a pena, tenha coragem para se arriscar e construir o teu legado, a tua obra, aquilo para o qual você nasceu!

Abraços,
Seja Independente



sábado, 22 de junho de 2019

Tutorial para iniciantes


Olá pessoal,

  Hoje irei fazer uma espécie de tutorial para iniciantes, mas não aqueles iniciantes que já estão começando a investir em renda variável, mas sim aqueles que estão saindo das dívidas, criando o hábito de poupar uma parte da renda mensal, mas ainda não tem ideia de como começar. Lembrando que o investidor iniciante não precisa necessariamente seguir à risca esse tutorial. Ele é apenas uma forma de começar a se educar financeiramente para que assim o iniciante se sinta mais a vontade para avançar nos investimentos.
  Apenas lembrando que já escrevi um artigo aqui no blog intitulado “Conhecimento, o maior investimento de todos!”, publicado em agosto de 2018 (confiram), onde eu mostrei algumas dicas para os investidores, como uma espécie de tutorial. Mas não sei se aqueles iniciantes que não tem a mínima ideia de como começar, sem uma certa bagagem de educação financeira, conseguiram entender o conteúdo de alguns canais na internet. Portanto, neste artigo vou procurar focar mais naqueles canais para quem está no básico do básico. Conforme falei nesse artigo publicado em agosto de 2018, o site Clube dos Poupadores é o melhor conteúdo que eu já encontrei na internet para quem está iniciando. Aconselho a ler diariamente pelo menos um artigo do site, começando pelo assunto Educação Financeira. Com o tempo pode ir avançando na leitura de artigos sobre assuntos mais “complexos”. É importante que o iniciante tire as lições após a leitura de cada artigo, podendo até registrar em um arquivo no computador ou em uma agenda ou caderno de anotações, e aplique-as na sua vida. O autor do site, Leandro Ávila, sempre se mostrou muito prestativo e atencioso com os seus leitores, respondendo dúvidas, seja através de e-mail ou através de comentários nos artigos. O site é gratuito, você não paga nada para ter acesso aos artigos de excelente qualidade. Leandro também escreve livros e os vende no seu site a preços acessíveis. Portanto, procurem explorar ao máximo esse projeto de vida do grande Leandro Ávila (sou fã dele). Para quem quer ter mais de uma referência, pode também ler alguns livros, como os do Gustavo Cerbasi, apesar de não considera-lo um educador financeiro, mas sim um consultor financeiro (crítica pessoal). Portanto, o iniciante só terá condições de “filtrar” algumas informações contidas nos livros de Cerbasi após adquirir referências com o Clube dos Poupadores. Outra sugestão de autor de livros seria Natália Arcuri, que já tem uma pegada bem mais informal, mas tem um conteúdo de excelente qualidade. Confesso que nunca li um livro dela, mas a minha mãe está lendo o livro Me Poupe e está gostando muito. Considero-a uma educadora financeira assim como o Leandro Ávila, mas não do mesmo quilate. Após a leitura e compreensão dos conteúdos de todos esses canais, ou seja, quando o iniciante já tiver um pouco de educação financeira, sugiro ler o livro Pai Rico Pai Pobre, do autor norte-americano Robert Kiyosaki. Já falei também desse livro, tanto nesse mesmo artigo como em um artigo específico sobre ele publicado logo em seguida, em agosto de 2018 (confiram). É um livro que dispensa maiores comentários, sendo de suma importância para a educação financeira do investidor. Ele derruba crenças, valores e conceitos sobre dinheiro e trabalho que são arraigados desde a nossa infância, transformando toda uma vida.
  Eu poderia continuar falando aqui sobre vários outros sites, livros e cursos sobre investimentos, mas ficaria muito cansativo. Meu objetivo neste artigo é fornecer uma diretriz, um norte, um caminho, para que o iniciante possa obter êxito na sua caminhada e não cometer os mesmos erros que eu cometi ao longo da minha ainda curta caminhada.

Abraços,
Seja Independente

quinta-feira, 20 de junho de 2019

A dificuldade do investidor empreendedor


Olá pessoal,

  Hoje irei fazer uma breve continuação do artigo “Que tipo de investidor você é?”, publicado no início desse mês. E irei adotar a mesma estratégia: tomando como ponto central mais alguns trechos do livro O Investidor Inteligente (gosto muito desse livro), com o intuito de estimular a leitura dele pelos investidores iniciantes e reforçar a ideia que tentei transmitir neste outro artigo.
  No artigo eu falei sobre as dificuldades do investidor empreendedor, dando o exemplo das limitações dos gestores de fundos de investimentos. Pois bem, vou tomar essa ideia como ponto de partida. No capítulo 15 do livro, intitulado “A escolha de ações para o investidor empreendedor”, entre as páginas 417 a 419, o autor é muito feliz em alguns trechos ao tentar explicar as dificuldades enfrentadas pelos analistas e gestores de fundos. Vamos ao primeiro trecho: Com muita frequência, lembramos a analogia entre o trabalho da multidão de analistas de títulos em Wall Street e o desempenho dos jogadores de bridge mestres em um torneio de bridge duplicado. Os primeiros tentam escolher as ações com “mais probabilidade de sucesso”; os últimos, obter os pontos máximos em cada mão jogada. Apenas poucos podem realizar ambos os objetivos. Na medida em que todos os jogadores de bridge têm um nível similar de perícia, os vencedores podem ser determinados por acasos de vários tipos, em vez de pela capacidade superior. Apesar de o autor ser norte-americano e citar “Wall Street”, essa verdade dita por ele serve para qualquer lugar do mundo. Outro trecho bem interessante: Os leitores deste livro, por mais inteligentes e conhecedores que sejam, dificilmente poderiam esperar fazer um trabalho melhor de seleção de carteira do que os melhores analistas do país. No entanto, se é verdade que um segmento razoavelmente grande do mercado acionário é muitas vezes discriminado ou inteiramente desprezado pelas seleções analíticas usuais, então o investidor inteligente pode ter condições para lucrar com as subvalorizações daí resultantes. Porém, para fazer isso, ele precisa seguir métodos específicos que não são geralmente aceitos  em Wall Street, uma vez que os métodos lá aceitos não parecem produzir os resultados que todos gostariam de obter. O que autor quis dizer aqui foi o seguinte: se você não faz parte do seleto grupo dos melhores analistas do país, mas se garante ao selecionar determinados ativos, deve ter em mente que possui conhecimento suficiente para ter plena segurança do que está fazendo e também personalidade suficiente para seguir em frente sem se importar com as opiniões do “Senhor Mercado”.
  Enfim, não estou aqui querendo insinuar que os investidores empreendedores sempre irão perder para o “resto do mercado” ao tentar bater o seu benchmarking. Apenas insisto em afirmar que para se tornar um investidor empreendedor ganhador, se requer tempo, e até lá o investidor defensivo pode ter uma performance superior dentro daquele determinado período, pois lembrem-se que os fatores mais importantes no processo de construção de riqueza é o valor aplicado e o tempo, e não a rentabilidade.

Abraços,
Seja Independente