sábado, 23 de novembro de 2019

Livro A Lógica do Cisne Negro, do autor Nassim Nicholas Taleb e Livro Rápido e Devagar, do autor Daniel Kahneman






Olá pessoal,
                            
  Alguns leitores já devem estar se perguntando por qual motivo irei falar sobre dois livros em um único artigo. E eu respondo: porque eles são complementares. Acredito que muitos investidores já devem ter ouvido falar neles, inclusive já citei o livro de Nassim Taleb em alguns artigos deste blog. São livros com uma abordagem filosófica, não apenas na área de investimentos, mas em várias outras áreas da vida. Inclusive o autor do livro Rápido e Devagar cita as ideias do livro de Nassim Taleb em vários capítulos para corroborar as suas. É apenas um detalhe dentre vários outros que explicam porque esses dois livros são tão complementares.
  Primeiramente, vamos falar sobre o livro A Lógica do Cisne Negro. A principal mensagem que o autor procura transmitir no livro é que devemos ser antifrágeis, ou seja, que nós devemos formatar uma carteira de investimentos antifrágil, que consiste basicamente em alocar ativos descorrelacionados, onde uns têm baixa volatilidade e outros têm alta volatilidade, em uma proporção ideal de forma que a carteira não seja abalada por “Cisnes Negros”. Para quem já leu o livro ou um dos meus artigos em que cito-o, sabe que na verdade o autor recomenda uma estratégia chamada Barbell (estratégia do supino), que consiste em alocar 90% da carteira em títulos públicos e 10% em opções de ações. Pelos motivos já explicados no último artigo em que falei sobre essa estratégia, não curto muito adotá-la aqui no Brasil. Mas a antifragilidade pode ser perfeitamente obtida por várias outras estratégias, já bastante discutidas nos artigos publicados neste ano.
  Já o livro Rápido e Devagar, do autor ganhador do prêmio Nobel de Economia Daniel Kahneman é uma das obras filosóficas mais respeitadas da atualidade. Suas ideias tiveram um impacto profundo em várias áreas, como economia, psicologia, medicina e política. A principal mensagem que o autor procura transmitir no livro é que a tomada de decisões de todo e qualquer ser humano nunca será puramente racional, mas sim permeada por pensamentos, sentimentos e impulsos. E isso é comprovado exaustivamente no livro através de uma infinidade de pesquisas acadêmicas. No tocante a área de investimentos, o autor comprova que o principal inimigo do investidor são as suas próprias emoções, quando ele fala que o pensamento predominante na tomada de decisões é o de perda, ou seja, mesmo sabendo que as probabilidades lhe são desfavoráveis, o investidor persiste na decisão errada, pois o pensamento de perda é proporcionalmente maior (mais impactante) do que o pensamento de ganho. O autor também fala sobre vários outros vieses do comportamento humano, como confiança excessiva (lembre-se sempre do círculo de competência), conforto cognitivo, associação equivocada de ideias, e vários outros vieses.
  Mas o colega investidor ainda deve estar se perguntando: “Por que eles são complementares?”. Simples: eles transmitem a mesma mensagem, de formas diferentes, mas é a mesma. E qual é a mensagem? Nenhum ser humano tem o controle sobre o que irá acontecer no mundo no futuro. As variáveis externas que influenciam todas as áreas da vida, não apenas a de investimentos, estão fora do nosso controle. Nós temos controle apenas sobre os nossos hábitos. Nenhum “especialista” pode prever a taxa básica de juros, a taxa de crescimento do PIB, o resultado das próximas eleições, qual será a próxima invenção tecnológica em tal área, quando (e se) haverá uma cura para o câncer, quando (e se) haverá uma guerra mundial, enfim, é impossível prever qualquer coisa. Por isso que tantos educadores financeiros pregam o seguinte: os fatores mais importantes para a construção de patrimônio são tempo e aporte. Rentabilidade está fora do nosso controle, pois podemos melhorar um pouco, mas nunca determinar, “cravar”.
  Para finalizar, gostaria de dizer que os dois livros são ótimas leituras apesar de em alguns momentos serem enfadonhos, pois ambos têm uma linguagem um pouco mais rebuscada e ambos são repetitivos, ou seja, poderiam ser resumidos em menos capítulos (os autores são um pouco prolixos). Mas são importantes para a construção de mindset do bom investidor. Boa leitura!

Abraços,
Seja Independente


terça-feira, 19 de novembro de 2019

Taxação de dividendos. E agora?


Olá pessoal,
                            
  Alguns leitores já devem ter visto na mídia especializada que existem atualmente no Congresso Nacional várias propostas para acabar com a isenção tributária dos dividendos, ou seja, voltar a taxar os dividendos. Se algum leitor está por fora do assunto, basta pesquisar no Google que vai aparecer uma enxurrada de matérias a respeito. Vou explicar neste artigo que não há tanto motivo para preocupação e pode até ser benéfico para o investidor no longo prazo dependendo da forma como o projeto de lei será votado.
  Primeiramente, o caro colega investidor precisa entender que as chances do Congresso Nacional aumentar a carga tributária das empresas com essa taxação de dividendos são remotíssimas, para não dizer impossível, pois caso contrário seria simplesmente “um tiro no pé” dado por eles. Digo isso porque a população brasileira (famílias e empresas) não aguenta mais pagar tanto imposto sem ter um retorno condizente e aumentar a carga agora iria totalmente de encontro à política expansionista do governo, necessária para a retomada do crescimento econômico, com geração de emprego e renda. Sendo assim, o Congresso provavelmente faria uma compensação, reduzindo a alíquota dos tributos incidentes sobre a pessoa jurídica.
  Mas percebam que essa compensação pode até ser benéfica para os investidores, pois com a redução da carga incidente sobre o PJ, os bens e serviços ficarão mais baratos, permitindo uma maior oferta e demanda e, consequentemente, um maior lucro para os acionistas. Mesmo com a taxação, os dividendos serão proporcionalmente maiores. Isso irá gerar um círculo virtuoso para as empresas e, consequentemente, para os seus acionistas. Sem contar que no futuro poderão até reduzir a alíquota do imposto incidente sobre os dividendos, como uma forma de incentivar a população brasileira a investir nas empresas listadas na Bolsa de Valores.
  Enfim, em relação a essa taxação dos dividendos, melhor dizendo, “fim da isenção tributária dos dividendos”, estou otimista, pois não acredito que o Congresso irá regredir aumentando a carga tributária das empresas, prejudicando não apenas as grandes empresas listadas na Bolsa, mas principalmente as microempresas e empresas de pequeno porte, que são a grande maioria e as que mais geram empregos no nosso país.

Abraços,
Seja Independente

sábado, 5 de outubro de 2019

Receita caseira para quem não se interessa!


Olá pessoal,
                            
  Alguns devem estar se perguntando o que eu quero dizer com “não se interessa”. Na verdade, esse artigo é uma continuação do último artigo publicado chamado “A pergunta que não quer calar: a taxa Selic caiu. E agora?”. Neste artigo vou focar mais especificamente naquele público de investidores que não se interessam por investimentos, seja por que tem medo do desconhecido ou por que não gostam do assunto. A receita caseira a que me refiro no artigo é uma estratégia de investimentos que pode ser adotada por qualquer pessoa. Vou explicar no que ela consiste.
  Primeiramente, é importante estabelecer aqui o público alvo para a adoção dessa “receita caseira”, que são aqueles investidores muito conservadores, que sempre investiram na caderneta de poupança ou naqueles fundos de investimentos/previdência privada dos bancos com taxas de administração abusivas, e na melhor das hipóteses, em imóveis físicos. Para sermos bem sinceros, a grande maioria dos brasileiros que tem o hábito de poupar tem esse perfil de investidor (se é que podemos chama-los disso). São pessoas que ainda carecem de educação financeira, pois sabemos que esse assunto, historicamente, não é ensinado em sala de aula no nosso país. Chega a ser uma questão cultural. Como alguns devem saber, no Brasil existem pouco mais de 1 (hum) milhão de CPFs cadastrados na Bolsa de Valores de São Paulo, ou seja, apenas um pequeníssimo percentual da população brasileira investem diretamente na “fonte”, cerca de 0,5% da população total. Na Colômbia, país latino-americano assim como nós, esse percentual chega a 6% (fonte). Então, para esse tipo de público, a “receita caseira” irá funcionar com eficiência, permitindo ao investidor muito conservador ter tempo livre para trabalhar no que é bom (lembre-se do círculo de competência) e ao mesmo tempo atingir os seus objetivos. E no que ela consiste? Investir a maior parte da carteira em Tesouro Selic, variando de 70 a 90%, de acordo com o perfil do investidor, e o restante em ETF brasileiro (BOVA11) e ETF norte-americano (IVVB11). O investidor poderá aportar periodicamente nessas três classes de ativos e dormir tranquilamente, sem se preocupar com nada. Com toda a certeza, essa “receita caseira” performará melhor do que muitas previdências privadas de grandes bancos, permitindo ao investidor uma massa de recursos digna de uma bela aposentadoria. Vale salientar que essa estratégia apenas surtirá efeito se for através de uma corretora/distribuidora de valores imobiliários independente, onde o spread bancário é bem menor do que os dos grandes bancos, pois os custos também contam no resultado final.
  Mas como nem tudo são flores, essa estratégia também possui desvantagens. Ela não permitirá ao investidor obter renda passiva, pois os proventos das ações que compõem os ETFs são reinvestidos no próprio ETF, não sendo assim disponibilizados ao investidor. Outra desvantagem é o fato de o investidor não ter muita margem de manobra para alterar, pois os custos para tal são mais altos, como as alíquotas do imposto de renda do Tesouro Selic e do ETF norte-americano IVVB11, inviabilizando os resgates que porventura o investidor queira realizar. Entretanto, se o investidor tiver plena consciência de suas limitações, como inaptidão para investir por conta própria e tempo para estudar, e resolver adotar essa estratégia com fidelidade irrestrita, ele pode ter ótimos resultados no longo prazo e em alguns casos se sair até melhor dos que muitos investidores com um bom tempo de estrada.
  Enfim, cabe ao investidor decidir o que é melhor para o seu futuro. É melhor, em minha opinião, que o investidor, por mais conservador que seja, tome decisões que o tirem da zona de conforto e o coloque em um patamar mais elevado no futuro, do que depender de terceiros na velhice, seja o governo por meio de uma previdência pública ou um banco por meio de uma previdência privada com taxa abusiva. Lembrem-se, apenas o conhecimento liberta, em qualquer área da vida. Na área dos investimentos não é diferente!

Abraços,
Seja Independente

domingo, 22 de setembro de 2019

A pergunta que não quer calar: a taxa Selic caiu. E agora?


Olá pessoal,
                                                                                                                                                        
  Como todos devem saber, nessa última semana o COPOM (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou mais 0.5 pp (meio ponto percentual) da taxa Selic, fixando-a em 5,5% ao ano. E tenho visto muitos investidores perguntarem aonde deveria investir a partir de agora, após esse corte. Quem faz esse tipo de pergunta ainda não compreendeu o que é investir. Eu sei que é duro para alguns investidores ler esse tipo de comentário, mas é a verdade! Mas primeiro deixem-me explicar as razões para tal comentário.
  Primeiramente, o investidor deve compreender que existem 03 (três) pilares que sustentam qualquer investimento: rentabilidade, liquidez e segurança. Cada investimento deve possuir cada um desses três pilares, não necessariamente na mesma escala, mas em escalas diferentes. O que vai definir a escolha por um investimento é o objetivo a ser atingido pelo investidor, podendo ser: formar patrimônio e/ou receber renda passiva, diminuir o risco não diversificável da carteira, ou constituir reserva de emergência. Cada tipo de investimento vai atender cada um desses objetivos de acordo com os pilares mais fortes que cada um deles possui. Uns têm uma escala maior de rentabilidade, como as ações e os fundos imobiliários, então serão ideais para formar patrimônio e/ou receber renda passiva. Outros têm uma escala maior em liquidez, como o título público tesouro Selic ou a caderneta de poupança, então serão ideais para constituir reserva de emergência. Outros já têm uma escala maior em segurança, como os títulos públicos atrelados à inflação, então serão ideais para diminuir o risco não diversificável da carteira. Mas vale ressaltar que isso não quer dizer que esses investimentos não tenham os outros pilares. Eles têm sim, mas em menor escala. Por exemplo, quem pretende constituir uma reserva de emergência deve optar por investimentos com maior liquidez, ou seja, com maior facilidade para transformar em dinheiro. Os investimentos apropriados para formar patrimônio não possuem muita liquidez e, sendo assim, não devem ser escolhidos para tal finalidade.





  Diante do exposto acima, já podemos responder a pergunta que não quer calar: a taxa Selic caiu. E agora? E agora não muda nada. A estratégia de investimento permanece a mesma, sem alterações. Você poderá continuar aplicando no tesouro Selic sem se preocupar com a rentabilidade, pois esse pilar aqui não nos interessa. O que interessa aqui é a liquidez, pois esse investimento servirá para constituir a nossa reserva de emergência, podendo até diminuir o risco não diversificável da carteira, diga-se de passagem. Para aqueles investidores conservadores que investiam no tesouro Selic com o objetivo de formar patrimônio, não se preocupem. Essa lacuna aberta com o corte da Selic pode ser preenchida com uma alocação pequena em fundos de ações ou em ETF, como o BOVA11 ou o IVVB11, ou em fundos imobiliários. Se ainda assim se sentirem inseguros com posições em renda variável, mesmo que muito pequenas, lamento informar, mas mesmo na renda fixa (ou será perda fixa?), o risco não desaparecerá. Existem ativos de renda fixa com rentabilidades mais atraentes do que as dos títulos públicos, como os CDB de bancos e as debêntures de empresas, mas o risco de calote é maior. Você pode até questionar o seguinte: “Ah, mas caso eu leve o calote o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) irá me ressarcir”. Mas em alguns casos o FGC leva vários meses para ressarcir os credores que levaram calote (ver matéria). E aí entra a questão do custo de oportunidade. Enquanto você aguarda o ressarcimento, o seu dinheiro poderia estar rendendo em outro investimento. Resumindo, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. O risco é inerente a todos os investimentos, sejam eles de renda fixa ou de renda variável. O que podemos fazer é administrar os riscos através de uma boa diversificação e posições em reservas de valor (criptomoedas e metais preciosos, por exemplo).
  Enfim, é primordial para o investidor compreender as peculiaridades de cada tipo de investimento. Não existe investimento bom e investimento ruim, mas sim investimento ideal para cada objetivo e para cada perfil. Não confundir com produtos bancários, como consórcios, títulos de capitalização e previdências privadas e fundos de investimentos com taxas de administração abusivas, que atendem única e exclusivamente aos interesses dos bancos e não aos interesses dos clientes. Não os considero como investimentos, pois em todos eles os pilares da rentabilidade e da segurança são frágeis ou quase inexistentes. As únicas exceções são a caderneta de poupança e raríssimos fundos de investimento com baixíssima taxa de administração, pois esses possuem o pilar da liquidez, somente. Hoje já é possível investir através de corretoras. Em menos de uma hora consegue-se abrir uma conta e muitas delas isentam o investidor de taxa de corretagem e taxa de custódia, vantagem que não existe nas corretoras dos grandes bancos. Fica a dica!

Abraços,
Seja Independente

domingo, 15 de setembro de 2019

O Brasil não voltará a crescer como antes!


Olá pessoal,
                                                                                                                                                        
  Hoje irei escrever um pouco de macroeconomia, mais especificamente sobre o crescimento do PIB (produto interno bruto) brasileiro nos próximos anos. Esse artigo é uma continuação da série de artigos sobre macroeconomia brasileira que já escrevi aqui no blog, e o último foi “Não sejamos otimistas demais!”, publicado em fevereiro. Mas dessa vez vou focar exclusivamente nos aspectos econômicos, sem me ater aos investimentos, pois deixei bem claro a minha posição nesses outros artigos.
  Pois bem, como muitos investidores devem saber, a média de crescimento do PIB brasileiro nas últimas três décadas, ou seja, nos últimos governos após a redemocratização, foi de 2,5% (dois e meio por cento) ao ano (ver gráfico). A maior parte dessa média, entre 1,5 e 2%, foi devido ao bônus demográfico que contribuiu para o aumento da força de trabalho, em todos os setores da economia. O restante da média se deveu de fato a eficiência na produtividade. Porém, esse bônus demográfico não existe mais, pois a tendência no Brasil é de famílias terem menos filhos, diminuindo a taxa de natalidade, o que, por conseguinte, diminui o crescimento da força de trabalho no longo prazo. Mas o problema não é apenas esse. Como muitos investidores bem informados devem saber, uma boa parte da força de trabalho brasileira é composta por jovens e adultos com péssimo nível educacional, onde muitos têm dificuldade de interpretar textos e calcular as quatro operações básicas (são analfabetos funcionais) e tampouco sabem falar e escrever um segundo idioma como também possuir noções básicas de informática. Isso é um grande entrave para o crescimento da produtividade. Além disso, também sabemos que o Estado brasileiro sempre foi o principal indutor do nosso crescimento econômico, através de investimentos em infraestrutura e em serviços públicos, como saúde e educação. Quando explode uma crise como essa última agora, faltam recursos para esses investimentos, impactando fortemente no crescimento do PIB.




  Portanto, é de se esperar que no curto e médio prazo o PIB brasileiro não voltará a crescer no mesmo patamar de antes. Isso é fato! Para voltar a crescer serão necessárias algumas medidas enérgicas que consigam sobrepujar a lacuna aberta deixada pela perda do bônus demográfico. A primeira delas é fortalecer a iniciativa privada e diminuir o tamanho do Estado brasileiro, pois este depende do anterior para sobreviver. Sem arrecadação de impostos, o Estado perde a capacidade de investir em infraestrutura e em serviços públicos básicos. A segunda medida é investir em educação básica de forma eficiente para que as futuras gerações possam ter condições de se qualificar para o mercado de trabalho. Mas essa medida requer muito tempo para gerar frutos. Até lá a terceira medida ajudará no crescimento do PIB, que é uma maior abertura comercial e uma maior importação de capital financeiro, físico e humano, mais especificamente direcionado para o nosso principal setor econômico, o agronegócio. A economia doméstica brasileira, isoladamente, não tem potência suficiente para destravar o crescimento do nosso PIB nas próximas décadas.
  Enfim, acredito que temos potencial para voltar a crescer como antes, mas implementando as medidas elencadas acima. Sendo implementadas, nosso PIB tem potencial para crescer até mais do que a média das últimas décadas. Não acredito que a nossa economia ficará estagnada, como aconteceu com o Japão, por exemplo. Até porque o Brasil possui vantagens que outros países não têm, como potencial agrícola gigantesco, população economicamente ativa grande (por enquanto) e boas relações diplomáticas com o restante do mundo. Por isso eu digo: o Brasil não voltará a crescer como antes, pois vai crescer mais!
 
Abraços,
Seja Independente

sábado, 17 de agosto de 2019

Diversificação e descorrelação de ativos!


Olá pessoal,
                                                                                                                                                        
  Hoje irei escrever novamente uma autocrítica sobre a minha conduta como investidor, assim como fiz no artigo “Não superestime as suas competências!”, publicado em maio deste ano. Mas desta vez a autocrítica se relaciona a erros menos graves. Trata-se da diversificação com a melhor alocação possível de ativos descorrelacionados. Vou explicar do que se trata essa descorrelação. Existem dois tipos de risco em qualquer carteira de investimentos: o risco sistemático e o risco não sistemático ou específico. O primeiro se refere aquele risco que impacta toda a sua carteira indistintamente, como por exemplo, uma crise financeira mundial, as eleições de um presidente que não agrada os mercados, etc. Já o segundo se refere a um risco que impacta especificamente uma empresa ou um subsetor da economia, como por exemplo, uma empresa envolvida em caso de corrupção ou a regulação de um subsetor que interfere diretamente em seus preços praticados no mercado.




  No meu caso em particular, o que foi que aconteceu? No início da minha formação de carteira, procurei dar preferência somente a ações de empresas de um mesmo subsetor dentro daqueles setores resilientes ou como costumam falar, “blindados” contra crises econômicas, ou anticíclicos, como são o caso dos setores financeiro, elétrico, saúde e educação. Para ser mais específico, eu tinha em minha carteira dois bancos, duas seguradoras, duas geradoras de energia elétrica, duas administradoras de plano de saúde e duas educacionais. É como se eu tivesse investindo nas concorrentes do mesmo subsetor para ver no que dava, sem ter ideia do risco que estava correndo. Uma regulação forte em qualquer subsetor pode impactar profundamente os fundamentos econômicos das empresas inseridas nele. Vimos o caso do setor elétrico, quando a ex-presidente Dilma Roussef interferiu diretamente nos preços das concessionárias de energia elétrica, apesar de ter sido uma regulação temporária. Também estamos vendo uma mudança mercadológica no setor bancário, onde os grandes bancos estão sendo ameaçados pelas corretoras de valores mobiliários, como é o caso da XP Investimentos, que por sinal já foi adquirida pelo Banco Itaú (sinal de alerta ligado), como também estão sendo ameaçados pelos bancos digitais, como são os casos dos bancos Nubank, Inter, Neon, Original, C6 Bank e vários outros que surgem como batata brotando da terra. Querem ver outro caso? O setor educacional, que até eclodir a maior crise econômica da história do Brasil, recebia o incentivo do FIES, programa de financiamento estudantil para estudantes de baixa renda, impactando positivamente o faturamento das empresas educacionais. Com o corte do FIES após a crise, essas empresas perderam muito faturamento e estão tendo que se reinventar para crescer.
  Enfim, ainda surgirão muitos exemplos de riscos para os setores da economia, no Brasil e no exterior, ainda mais nesse início do século 21 onde mudanças disruptivas surgem diariamente. Daí a importância de se diversificar com sabedoria, investindo em ativos descorrelacionados. Como eu tinha dito no final do artigo publicado em maio, esse artigo serve como uma dica valiosa para aqueles que estão começando a investir. E o mais importante é nunca deixar de aprender, reconhecer os erros e fazer as devidas correções ao longo do caminho. Não desanime com os erros, por mais prejuízo que você tenha com eles, porque são eles que irão catapultar o seu sucesso, se você extrair as devidas lições decorrentes de cada um deles. A estrada é tortuosa e dolorosa, mas a recompensa sempre chega para quem acredita!
 
Abraços,
Seja Independente


sexta-feira, 19 de julho de 2019

Brasil e o seu “capitalismo de araque”


Olá pessoal,


  Hoje irei falar sobre uma matéria no Infomoney a respeito de um podcast onde um dos gestores de fundos de investimento mais renomados do país, Henrique Bredda, do fundo Alaska Black, explica que uma injeção de capitalismo pode prejudicar o Ibovespa (ver matéria aqui).  


Gestor Henrique Bredda


  Ele diz o seguinte: O Brasil tem um capitalismo de araque, a gente não tem concorrência em nada. São duas ou três empresas em cada setor. Na Bolsa, que geralmente concentra as líderes setoriais, essas empresas vivem uma situação de oligopólio – com acesso a crédito, capacidade de crescer e margens largas – enquanto as outras sofrem. Esse cenário é um espetáculo para a Bolsa. Primeiramente destaco aqui o termo cunhado pelo gestor, “capitalismo de araque”. Nunca vi um adjetivo tão bem colocado para o nosso capitalismo. Admito que gostei bastante. Mas seguindo em frente, o gestor explica que uma injeção de capitalismo pode estimular novas empresas, nacionais e estrangeiras, a entrarem em setores atualmente dominados por algumas poucas e desbancar essas líderes futuramente. Ele dá o exemplo do setor de maquininhas, onde a líder Cielo teve suas margens corroídas após a entrada de novos competidores. Na verdade, já estamos vendo o surgimento de vários entrantes no mercado financeiro em geral, principalmente o bancário. Mas vale lembrar que alguns deles ainda não abriram capital na Bolsa, ainda não tem histórico de resultados, ainda não caíram no gosto das grandes massas e provavelmente sejam incorporados pelos gigantes do setor futuramente. Na realidade, os gigantes contam com uma vantagem perante esses novos entrantes: a falta de educação financeira das massas. O educador financeiro Leandro Ávila do Clube dos Poupadores explica isso muito bem neste artigo aqui. E esse fenômeno que está ocorrendo no setor financeiro também pode acontecer em outros setores. Principalmente os setores mais sensíveis às mudanças tecnológicas. Mas mesmo que essa “destruição de valor” ocorra, ela não acontece do dia para a noite, ela acontece de uma forma lenta e gradual.
  O investidor precisa entender que ninguém possui uma bola de cristal para prever o futuro, mas não é por isso que ele deve deixar de investir na empresa ou no setor A, B ou C. Se o investidor perceber através dos indicadores que a empresa está perdendo os seus fundamentos, basta tomar a decisão de vender as ações pelo preço que o “senhor mercado” aceitar e comprar as ações de outra empresa. Portanto, não há motivo para preocupação. Continue estudando e tendo paciência. O importante é nunca parar!

Abraços,
Seja Independente