domingo, 23 de dezembro de 2018

Paulo Guedes no 19º Fórum da Liberdade (2006)



Olá pessoal,



   Gostaria que vocês assistissem esse excelente vídeo do nosso futuro ministro da economia Paulo Guedes, explicando com maestria sobre todos esses assuntos que tenho tratado recentemente no meu blog, e acredito que todo investidor iniciante, assim como eu, deve assistir esse vídeo.

Analisar os fundamentos da economia é muito importante!


Olá pessoal,

  Hoje eu irei falar sobre a importância de se analisar os fundamentos da economia nacional antes de iniciar a formatação da sua carteira de investimentos. Na minha humilde opinião, como investidor iniciante e autodidata, é primordial analisar todos os fundamentos econômicos antes de começar a investir, mas obviamente que a maioria dos investidores não terá essa percepção no início da formatação. Pelo contrário, eles terão essa percepção após já terem investido uma parte do patrimônio e adquirido uma certa bagagem de conhecimento por meio de livros, sites e cursos. Além do mais, essa análise não se encerra num determinado ponto do tempo, mas sim continua de forma perene enquanto o investidor estiver formatando a sua carteira ao longo da vida.
  No caso específico do Brasil, ainda continuamos com fundamentos ruins, apesar do nosso potencial para crescer nas próximas décadas. Precisamos de várias reformas no meu ponto de vista, como previdenciária, tributária, trabalhista, política, administrativa, penal e educacional. Precisamos de mais Brasil e menos Brasília. Precisamos acabar com os privilégios de elites abastadas que vem se perpetuando desde os tempos em que éramos colônia de Portugal. Herdamos de Portugal um Estado intervencionista, paternalista, hipertrofiado e corrupto, e que ao invés de ter sido expurgado do nosso ordenamento jurídico, foi aprimorado após a redemocratização e a Constituição de 88 em benefício da classe política e em detrimento da sociedade em geral. E o que tudo isso significa para a nossa carteira de investimentos? Muita coisa, a começar pelos juros altos praticados pelo governo e pelos bancos, pela inflação que corrói os salários dos trabalhadores e pela alta carga tributária imposta pelo governo. Com base nesse cenário, posso afirmar que o mais prudente a se fazer é ser conservador na formatação da sua carteira “agressiva”. Os melhores setores nesse caso são aqueles que se beneficiam dos juros altos e da sua própria natureza “resiliente”. É por isso que metade da minha carteira de ações está investida no setor financeiro (bancos e seguradoras) e a outra metade nos setores elétrico, hospitalar e educacional. A única empresa cíclica em que eu invisto é a Ambev, por se tratar de uma multinacional brasileira com ótima governança corporativa e líder de mercado (pelos menos por enquanto, apesar da Heineken). Também invisto numa carteira de fundos imobiliários com foco exclusivamente em salas comerciais, numa carteira de títulos públicos e numa ETF norte-americana (para diversificar geograficamente e fazer o hedge cambial), mas essas carteiras representam a menor parte da minha carteira total de investimentos.
  Entendam que é muito difícil para as grandes empresas listadas na Bolsa do setor cíclico fazerem investimentos de longo prazo para que possam ter maior rentabilidade e assim gerarem maior retorno para os seus acionistas. O ambiente de negócios no nosso país é muito hostil, a começar pela alta e complexa carga tributária, pelos altos encargos sociais e trabalhistas, pela mão-de-obra desqualificada em virtude do nosso baixo nível educacional, pela insegurança jurídica que dificulta o cumprimento dos contratos, sejam eles cíveis ou administrativos, pela precária infraestrutura das rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, e por todos os outros gargalos conjunturais que formam o nosso chamado Custo-Brasil. Mesmo que futuros governos liberais tenham a boa vontade de reverter esse quadro, isso levaria décadas para começar a surtir efeitos, dada a quantidade de problemas que nós temos, a começar pela nossa mão-de-obra desqualificada e o envelhecimento populacional aliado a uma diminuição da natalidade (perda do bônus demográfico).
  Portanto, antes e durante a formatação da sua carteira de investimentos, pense mais a respeito desses problemas que entravam o nosso crescimento econômico. Um bom livro que eu recomendo para entender um pouco mais a nossa situação é “Macroeconomia para Executivos”, dos autores Fabio Giambiagi e Cristiane A. J. Schmidt. 





                                                       
Abraços,
Seja Independente

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Reforma da Previdência não resolve o seu problema!


Olá pessoal,

  No artigo de hoje vou falar de uma forma oportuna sobre um tema recorrente nos dias atuais, não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro, que é a Previdência Social. Meu interesse em falar sobre esse tema hoje surgiu ao ler uma entrevista no site Infomoney com o economista Andras Uthoff, consultor internacional e conselheiro regional da OIT e professor da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile (ver aqui).

Economista Andras Uthoff


  Na opinião desse economista, a promessa do modelo de previdência por capitalização -adotado no Chile em 1981 durante a ditadura de Augusto Pinochet - de gerar poupança suficiente para impulsionar a economia e garantir empregos de qualidade, fracassou. Ele lembra que, atualmente, mesmo com a reforma promovida no governo de Michelle Bachelet, 79% das pensões estão abaixo do salário mínimo. Na época da implementação, o Estado chileno fechou o sistema público e criou Administradoras de Fundos de Pensão (AFP). Entretanto, essas administradoras, ao invés de investir no Chile, passaram a investir em instrumentos financeiros no exterior. Isso não gerou o aumento esperado da poupança interna e, consequentemente, não gerou o crescimento esperado do PIB chileno, gerando desemprego, informalidade e alta rotatividade. Sendo assim, o trabalhador chileno não teve condições de contribuir para a sua previdência de forma regular e disciplinada ao longo de sua vida laboral.




  Quais lições podemos extrair desse exemplo do Chile? Pelo menos duas lições que eu considero fundamentais: 1ª) Nunca confie o seu futuro a qualquer pessoa ou instituição, pública ou privada. Você é a única pessoa responsável por gerir os recursos que irão prover o seu sustento na velhice. Não delegue essa função a ninguém, nem ao governo através da previdência social ou dos fundos de pensão (no caso do Chile), nem aos bancos através de previdência privada; 2ª) Não existe uma Previdência Social ideal que cumpra a sua função social, em nenhum país do mundo. Investir maciçamente em infraestrutura e educação, fortalecer o comércio exterior eliminando barreiras protecionistas, incentivar a livre iniciativa e diminuir impostos, são medidas muito mais efetivas para a diminuição das desigualdades sociais do que simples reformas na previdência social.
  Sugiro ao colega leitor ler toda a entrevista para que possa entender a complexidade da questão previdenciária, não apenas no Chile, mas no mundo inteiro. É necessário que cada um de nós tenha a consciência de que o futuro é incerto e cabe somente a nós a responsabilidade pela gestão dos recursos que irão prover as nossas necessidades na velhice.

Abraços,
Seja Independente